Um novo programa do Ministério da Saúde passou a oferecer atendimento psicológico gratuito a mães atípicas e outros cuidadores em todo o Brasil. A previsão é de 100 mil teleatendimentos por mês pelo SUS, com consultas realizadas à distância e acesso pelo aplicativo do sistema de saúde.
O serviço é voltado a mães atípicas, mulheres em situação de violência e familiares responsáveis pelo cuidado de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras. A proposta é oferecer suporte a quem dedica grande parte da rotina aos cuidados com outra pessoa e, muitas vezes, deixa a própria saúde em segundo plano.
Sobrecarga
A realidade é conhecida por Rosa, que há 43 anos cuida do filho, que nasceu com paralisia cerebral. Atualmente, ela também é responsável pelos cuidados com o marido e relata que praticamente não tem tempo para si.
Depois de décadas dedicadas à família, Rosa afirma que a sobrecarga também trouxe consequências físicas. Ela relata perda de força em uma das mãos, além de tendinite, bursite, desgaste e problemas na coluna.
Segundo o psicólogo Delton Júnior, existe uma percepção equivocada de que quem consegue cuidar de outra pessoa não precisa, necessariamente, de cuidados. Para ele, os cuidadores também podem acumular uma carga psicológica e não conseguir lidar sozinhos com essa sobrecarga.
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Quem cuida
Aparecida Fachola também dedica grande parte da vida aos cuidados do filho Cléber, que tem paralisia cerebral. Ao longo dessa trajetória, ela afirma que encontrou na fé uma forma de enfrentar as dificuldades.
Cléber destaca que o cuidado entre os dois não acontece em apenas uma direção e afirma que também se preocupa com a saúde e as necessidades da mãe.
A nova iniciativa busca justamente ampliar o reconhecimento de que a pessoa responsável pelos cuidados também pode precisar de acompanhamento. Com a previsão de 100 mil teleatendimentos mensais, a proposta é criar um espaço de escuta e suporte psicológico para cuidadores.



