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Motociclistas que trabalham por aplicativos recebem menos do que quem atua com carteira assinada

Esses condutores têm jornadas de trabalho maiores e contribuem menos para a aposentadoria; conheça o estudo!
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Esses condutores têm jornadas de trabalho maiores e contribuem menos para a aposentadoria; conheça o estudo!

Esses condutores têm jornadas de trabalho maiores e contribuem menos para a aposentadoria; conheça o estudo!

Uma pesquisa recente realizada pelo IBGE, Unicamp e Ministério Público do Trabalho revelou dados preocupantes sobre a realidade de motoristas e entregadores de aplicativos no Brasil. O estudo, que causou grande repercussão, levanta questionamentos sobre a classificação desses trabalhadores como empreendedores ou empregados.

Jornada Exaustiva e Remuneração Precária

O levantamento identificou 1,5 milhão de pessoas trabalhando por aplicativos, mostrando que esses trabalhadores frequentemente enfrentam jornadas extenuantes, recebem menos que trabalhadores com carteira assinada e contribuem menos para a aposentadoria. A diferença salarial é significativa: entregadores de moto, por exemplo, recebem em média R$ 8,70 por hora via aplicativo, contra R$ 11,90 por hora em trabalhos fora da plataforma – uma diferença de 36%.

Autonomia ou Controle Disfarçado?

Apesar de 77% dos entrevistados afirmarem trabalhar por conta própria, a pesquisa aponta para uma realidade bem diferente. A maioria reconhece a falta de poder de negociação e autonomia na definição de preços, rotas e prazos. Embora 83% digam ter controle sobre o horário, 73% dos motoristas relatam ser influenciados por programas de recompensas das plataformas, e 40% temem retaliações por trabalharem fora dos horários sugeridos. Para especialistas, como o professor Dari Cren da Unicamp, essa liberdade é ilusória, indicando uma relação de controle disfarçada pelas empresas.

A Necessidade de Regulamentação

Vinicius Pinheiro, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), reforça a necessidade de regulamentação do setor. A pesquisa demonstra que o modelo atual é insustentável, exigindo uma intervenção negociada entre trabalhadores, empresas e governo. Além da questão salarial e da jornada de trabalho, a pesquisa destaca que os trabalhadores arcam com os custos dos equipamentos de trabalho. O Ministério Público do Trabalho e pesquisadores da Unicamp defendem que a pesquisa evidencia a necessidade de regras claras e justas, garantindo melhores condições de trabalho e dignidade para os trabalhadores, sem prejudicar a lucratividade das empresas. Afinal, o trabalho por aplicativo veio para ficar e precisa de um arcabouço legal que assegure o desenvolvimento do setor de forma sustentável e ética.

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