Em São Paulo, é estimado 4,4 milhões de tons, 10% menos que última safra; Em Minas Gerais, queda deve ser de 9%, com 7,6 milhões
Preocupação com a Safra de Soja
A colheita de soja em São Paulo e Minas Gerais está atrasada devido à falta de chuvas em outubro de 2023, período crucial para o plantio. A expectativa é de queda na produtividade, com São Paulo prevendo 4,4 milhões de toneladas (10% a menos que na safra anterior) e Minas Gerais, 7,6 milhões de toneladas (9% a menos). A engenheira agrônoma Cristiana Pessoa Pani atribui o problema à falta de chuvas no período ideal de plantio, afetando o desenvolvimento das vagens e o enchimento dos grãos. Em Boa Esperança do Sul (SP), por exemplo, choveu apenas 40 milímetros em outubro, um terço da média histórica.
Impacto do Atraso no Plantio
O atraso na colheita, que pode se estender até junho, afeta todo o planejamento agrícola. A produtora Ana Paula Nunes, com 650 hectares de soja em Boa Esperança do Sul, teve que interromper o plantio em outubro e retomar apenas em novembro. Isso causou um atraso na colheita de aproximadamente um mês, comprometendo o plantio subsequente de milho, sorgo e girassol. Em outras regiões, como nas terras de Daniel Valim, o desenvolvimento da soja está ainda mais atrasado, com vagens que nem sequer apareceram. O tombamento da soja, causado pelo crescimento excessivo em busca de fatores climáticos, também contribui para a redução da produtividade.
Queda nos Preços e Perspectivas Futuras
A queda na produtividade se soma à desvalorização do preço da soja nos últimos 12 meses (quase 24% na Bolsa de Chicago), atingindo valores entre R$ 107 e R$ 109. A baixa demanda chinesa, aumento da área plantada no Brasil e estoques elevados no mercado interno contribuem para essa situação. A Argentina, com uma produção estimada em 52 milhões de toneladas, também influencia o mercado, principalmente na exportação de farelo de soja. A perspectiva para o primeiro semestre de 2024 não é animadora, com a demanda chinesa afetada pela deflação e ajustes de preço no mercado internacional. O clima também continua como um fator preocupante, com previsão de chuvas irregulares e corte prematuro na segunda quinzena de abril, afetando a segunda safra.
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O setor agrícola enfrenta desafios significativos em 2024, exigindo tecnologia, resiliência e adaptação às mudanças climáticas e às flutuações do mercado. A combinação de fatores climáticos adversos e instabilidade econômica impõe a necessidade de estratégias inovadoras para garantir a sustentabilidade da produção.