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Mulheres têm referências históricas na cultura cervejeira

Ouça a coluna 'CBN Cerveja e Conteúdo', com Taiga Cazarine
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A associação entre a imagem da mulher e a publicidade de cerveja é um tema recorrente. Embora muitas vezes essas campanhas visem atrair o público masculino, é crucial reconhecer a importância histórica das mulheres na cultura cervejeira.

Raízes Históricas Femininas na Produção de Cerveja

Historicamente, as mulheres desempenharam um papel fundamental na produção de cerveja. Desde os tempos em que a cozinha era seu domínio, elas cuidavam dos ingredientes e até dos utensílios necessários para a fabricação da bebida. Antes mesmo disso, as mulheres já estavam envolvidas no manejo dos cereais, um componente essencial da cerveja.

A descoberta da cerveja, segundo relatos, ocorreu quando grãos esquecidos na chuva fermentaram, dando origem a essa nova bebida. Embora a cerveja inicial fosse diferente da que conhecemos hoje, ela era igualmente apreciada. Em alguns lugares, há quem diga que quando os homens perceberam o potencial lucrativo da cerveja, eles assumiram o controle do negócio.

Mulheres como Divindades e Guardiãs de Receitas

Existem registros de que as mulheres eram responsáveis por criar cadernos de receitas e, em alguns casos, até ganhavam status de divindades com poderes mágicos na preparação da cerveja. Embora os monges tenham sido os primeiros a registrar receitas por terem acesso a textos, foi uma freira quem descobriu o lúpulo.

Portanto, as mulheres estiveram presentes em diversos momentos importantes da história da cerveja. No final do século XX, elas começaram a aparecer em campanhas publicitárias, mas com um caráter diferente, o que exige que desmistifiquemos essa imagem.

Desafios e Empoderamento Feminino no Mundo Cervejeiro Atual

Cultural e historicamente, a cerveja no Brasil sempre foi vista como um produto para homens. Antigamente, mulheres não eram bem-vistas em bares, muito menos bebendo cerveja. Essa relação de que o produto era vendido para homens reforçou a ideia de associar a cerveja a mulheres consideradas atraentes, refletindo uma cultura machista que esperamos que diminua.

Atualmente, cervejarias estão criando cervejas em protesto a essa visão. Recentemente, participei de um coletivo de mulheres que produziram uma cerveja chamada ‘Ela’. Além disso, cervejas com alto teor alcoólico estão sendo criadas para mostrar que mulheres também apreciam cervejas fortes. Afinal, não existe cerveja ‘fraca’ ou ‘forte’ para um gênero específico; existem paladares.

É importante lembrar que nenhuma bebida foi feita para um gênero específico. Existem homens que preferem cervejas mais suaves e mulheres que preferem cervejas mais fortes. A mulher teve acesso à liberdade de consumir cerveja muito mais tarde que o homem, o que pode explicar por que algumas torcem o nariz para a bebida. Além disso, a cerveja mais popular no Brasil tem um sabor suave que nem sempre agrada a todos.

Hoje, há uma variedade enorme de estilos, receitas e ingredientes disponíveis, o que aumenta a possibilidade de mais pessoas, tanto homens quanto mulheres, se interessarem pela cerveja. Em Ribeirão Preto, há mulheres se destacando no mercado cervejeiro, como Bia Amorim, uma sommelier que me inspira. Carol Curvo também está à frente do laboratório da Invicta. O que não faltam são mulheres talentosas no mercado, ensinando muitos homens. Precisamos acabar com esses preconceitos.

Em resumo, a história da cerveja é rica e multifacetada, com a participação feminina em diversas etapas. Desmistificar estereótipos e celebrar a diversidade de paladares é fundamental para um futuro mais inclusivo no mundo cervejeiro.

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