Quem explica essa tendência é o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), José Augusto Viana
Após um primeiro trimestre positivo, o mercado imobiliário de Ribeirão Preto e região registrou queda acentuada em abril.
Menos vendas, mais locações
De acordo com pesquisa do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP), realizada com 45 imobiliárias e corretores, as vendas de imóveis caíram 41% em abril, em comparação com março. Em contrapartida, houve um aumento de 83% nas locações. O presidente do Creci-SP, José Augusto Viananeto, atribui a queda nas vendas à alta taxa de juros, dificultando o acesso a financiamentos. Ele destaca que apenas 40% das transações em abril foram realizadas por meio de financiamentos bancários (contra 85% no passado), enquanto 60% foram à vista ou com parcelamento direto com o proprietário.
Cenário de crédito e perspectivas futuras
A alta da taxa Selic impactou diretamente os juros dos financiamentos imobiliários. Embora os bancos tenham desassociado a Selic da taxa de juros para manter a viabilidade dos financiamentos, a taxa ainda se encontra alta (entre 8% e 9%, enquanto a Selic está próxima dos 13%). Viananeto acredita que, com a taxa de juros mais estável e a perspectiva de queda, o mercado deve se recuperar, principalmente impulsionado pelo ano eleitoral, que tende a gerar políticas mais favoráveis ao setor. A facilidade de acesso a crédito para imóveis novos também é um fator positivo, contrastando com a maior dificuldade para imóveis usados, devido à complexidade de cada processo de financiamento.
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Preço dos imóveis e o impacto da inflação
A alta inflação impacta diretamente o setor de construção, dificultando o lançamento de novos empreendimentos. O aumento dos custos de insumos e mão de obra torna difícil para incorporadoras manterem os preços previstos inicialmente, gerando incertezas no mercado. A inflação, somada à alta Selic, afeta o poder aquisitivo da população, impactando o mercado imobiliário como um todo. Apesar das dificuldades, a pesquisa indica que a maioria das transações (53,85%) se concentra em imóveis de até R$ 300 mil, principalmente em regiões centrais e de periferia, sugerindo que a demanda vem principalmente da classe média baixa.
As flutuações do mercado são consideradas normais, e a expectativa é de crescimento de cerca de 10% em vendas nos próximos 12 meses. A maior parte dos contratos de locação (63,54%) se concentra em valores de até R$ 1.000, indicando que este segmento merece atenção especial devido à baixa renda da população envolvida. O mercado imobiliário, portanto, apresenta um cenário complexo, com desafios e oportunidades, exigindo cautela e informação para quem deseja investir ou adquirir um imóvel.



