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Nosso tour pelos estilos cervejeiros ao redor do mundo termina com a escola americana

Será que os Estados Unidos, que é uma potência econômica, também é bom em fazer cerveja? Quem responde é Carlos Braghin!
Nosso tour pelos estilos cervejeiros ao
Será que os Estados Unidos, que é uma potência econômica, também é bom em fazer cerveja? Quem responde é Carlos Braghin!

Será que os Estados Unidos, que é uma potência econômica, também é bom em fazer cerveja? Quem responde é Carlos Braghin!

Encerrando a série sobre escolas cervejeiras, Nosso tour pelos estilos cervejeiros ao redor do mundo termina, a conversa desta sexta-feira na CBN abordou a influência das tradições cervejeiras europeias e a consolidação da escola norte-americana no cenário mundial e brasileiro. O debate destacou como a imigração europeia e o contexto histórico dos Estados Unidos moldaram estilos e métodos de produção que impactam diretamente o consumo atual de cervejas, inclusive no Brasil.

Origem e influência das escolas cervejeiras

Historicamente, quatro pilares principais sustentam o desenvolvimento da cultura cervejeira: as tradições alemã, belga, inglesa e, mais recentemente, a norte-americana. Essa última surge a partir da colonização feita por povos europeus que já possuíam uma sólida base cultural e técnica na produção de cerveja. Ao chegarem aos Estados Unidos, esses imigrantes encontraram um ambiente propício para o cultivo de insumos e a fabricação da bebida, o que possibilitou a adaptação e reinvenção dos estilos clássicos europeus.

O clima favorável e a disponibilidade de matérias-primas permitiram que a escola norte-americana se desenvolvesse com características próprias, enriquecendo o panorama global da cerveja. Além disso, o avanço tecnológico e o aprimoramento dos processos produtivos nos Estados Unidos diferenciam essa escola das europeias, que tradicionalmente mantêm métodos mais conservadores.

Contexto histórico e impacto da Lei Seca: Um ponto fundamental para entender a evolução da cerveja norte-americana é o período da Lei Seca, vigente entre as décadas de 1920 e 1930. Antes da proibição, os Estados Unidos contavam com centenas de cervejarias ativas; após a Lei Seca, esse número caiu para menos de 70. A restrição levou as cervejarias remanescentes a produzirem bebidas com características mais suaves, menos amargas e aromáticas, para atender às exigências legais e ao mercado restrito.

Esse cenário resultou na popularização das cervejas do tipo lager, produzidas com leveduras que fermentam em temperaturas mais baixas, originárias da tradição alemã. Essas cervejas, mais leves e refrescantes, foram amplamente consumidas e se tornaram a base do que hoje se conhece como American Lager. O legado desse período é sentido até hoje, inclusive no Brasil, onde a cerveja pilsen consumida tem forte influência dessa adaptação norte-americana, e não da pilsen tradicional alemã.

Inovação e diversidade na escola norte-americana

Nas décadas seguintes, especialmente entre os anos 1960 e 1970, a escola norte-americana passou por uma fase de redescoberta e inovação. Um exemplo marcante é o trabalho de Fritz Maytag, que viajou à Europa para estudar estilos e técnicas, trazendo de volta aos Estados Unidos uma cultura de diversidade e experimentação na produção de cervejas.

Com o apoio da tecnologia e da pesquisa, a indústria cervejeira norte-americana expandiu-se rapidamente. Atualmente, o país possui cerca de 10 mil cervejarias, segundo dados da Brewers Association, e a distância média que um consumidor norte-americano precisa percorrer para encontrar uma cervejaria é de apenas 15 km. Essa proliferação contribui para a variedade de estilos, que vão desde as tradicionais American Lager até as IPAs (India Pale Ales) com lúpulos característicos, adaptados ao clima e ao paladar locais.

Características técnicas e sensoriais das cervejas lager: Um esclarecimento importante feito durante a conversa foi sobre a relação entre o estilo lager e o amargor da cerveja. A palavra “lager” refere-se ao tipo de levedura utilizada, que fermenta em temperaturas mais baixas, e não necessariamente ao sabor amargo. O amargor está diretamente ligado ao tipo e à quantidade de lúpulo empregado na receita. Existem lúpulos que conferem maior amargor e outros que realçam o aroma, o que significa que uma cerveja lager pode variar bastante em termos de sabor.

Assim, o amargor não é uma característica intrínseca das lagers, mas sim uma escolha do produtor, que define o perfil sensorial desejado para cada estilo. De modo geral, lagers tendem a ser menos amargas do que ales, mas essa é uma regra flexível dentro da diversidade cervejeira.

Panorama

O cenário brasileiro reflete essa diversidade e influência internacional. Em cidades como Ribeirão Preto, por exemplo, a abertura de casas especializadas com múltiplas torneiras e a junção de cervejarias locais demonstram o interesse crescente por estilos variados e pela experimentação. O calor intenso e o clima seco da região também incentivam o consumo de cervejas mais refrescantes, alinhadas com as tradições norte-americanas e europeias adaptadas ao paladar local.

O desenvolvimento da cultura cervejeira no Brasil é fruto da combinação entre heranças históricas, inovação tecnológica e a valorização do consumo consciente, sempre buscando oferecer ao consumidor uma experiência rica e diversificada.

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