Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Marisa Fernandes
A demissão em massa de funcionários da prefeitura de Viradouro gerou protestos e indignação. Servidores exonerados se manifestaram em frente ao prédio da administração municipal, alegando falta de justificativa para as demissões.
Revolta e Incerteza entre os Demitidos
Rogério Damaceno, uma das funcionárias demitidas, expressou sua revolta com a situação. “Pegaram outro funcionário de um outro departamento, colocaram-nos sem conhecer nada, a gente ainda estava ensinando e simplesmente nos demitiu”, desabafou. Robson Seleguin, outro funcionário surpreendido com a demissão, questiona os cálculos da administração, especialmente em relação aos altos salários de diretores em quatro secretarias, que somam uma parcela significativa da folha de pagamento.
O Drama dos Servidores Concursados
A situação de Rosana Marques, servidora concursada grávida de cinco meses, é particularmente delicada. Ela foi informada da demissão por meio de um comunicado formal, sem qualquer consideração por sua condição. “Ele sabia que eu estava grávida, meu fiscal sabia que eu estava grávida, porque eu entreguei meu exame de gravidez na mão dele”, lamentou Rosana.
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Justificativas da Prefeitura e Perspectivas Futuras
A prefeitura alega que as demissões foram necessárias para adequar os gastos com pessoal aos limites legais, já que no ano passado o município ultrapassou o teto de 54% da receita destinado a essa finalidade. O secretário municipal de negócios jurídicos, Jefferson Lopes, informou que os cortes devem continuar e que a contabilidade está avaliando se as medidas tomadas serão suficientes para restabelecer o equilíbrio financeiro. Desde dezembro do ano passado, 51 funcionários foram demitidos em Viradouro, incluindo comissionados, não estáveis e concursados.
A demissão de funcionários concursados, segundo o especialista em direito administrativo Luís Eugênio Escarpino, deve ser encarada como medida excepcional, dada a garantia constitucional de estabilidade após o período probatório. O secretário Jefferson Lopes assegura que a administração agiu conforme a legislação e que o caso da funcionária grávida será revisto.
O cenário em Viradouro reflete um esforço da administração para se adequar às exigências legais, mas levanta questões sobre o impacto social e humano das demissões.



