A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta sexta-feira (26), a Operação Cortina de Fumaça para investigar suspeitas de fraude em licitações, pagamento de propina e favorecimento de empresas em contratos públicos da Prefeitura de Cajuru. A ação é resultado de investigações iniciadas em 2025, que reuniram três inquéritos policiais com indícios de conexão entre si.
Ao todo, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão em Cajuru, Serra Azul, Santa Cruz da Esperança, Batatais e Passos (MG). A operação teve como alvo prédios públicos, empresas e endereços ligados a investigados. Ninguém foi preso.
Investigações
Segundo a Polícia Civil, um dos inquéritos apura a suspeita de que o então pregoeiro do município tenha favorecido empresas em processos licitatórios por manter relação com pessoas ligadas aos fornecedores.
Outra investigação envolve uma servidora do Departamento de Obras, suspeita de ter recebido vantagens indevidas de empresas contratadas pela prefeitura. Já o terceiro inquérito foi instaurado após a própria administração municipal comunicar uma denúncia envolvendo um servidor da Secretaria de Obras.
Durante a apuração, um empresário que participava de licitações afirmou ter sido alvo de um pedido de propina para que os serviços contratados tivessem continuidade. De acordo com a polícia, esse relato ampliou o alcance das investigações.

Contratos
As investigações começaram após uma denúncia anônima que apontava possíveis favorecimentos em processos licitatórios. Desde então, a Polícia Civil analisou contratos, pregões eletrônicos e documentos que apresentaram indícios de irregularidades.
Os contratos investigados envolvem serviços de limpeza de córregos, manutenção de estradas vicinais, limpeza de cemitério, compra e instalação de vidros e obras de pavimentação.
Segundo a Polícia Civil, apenas um dos núcleos investigados reúne contratos que ultrapassam R$ 3 milhões em recursos públicos. Entre os documentos analisados, uma empresa do setor de vidros recebeu mais de R$ 160 mil entre 2020 e 2024, enquanto uma empresa de limpeza urbana recebeu mais de R$ 1 milhão entre 2023 e 2025.
Operação
Nas primeiras horas da operação, equipes da Polícia Civil estiveram no Paço Municipal de Cajuru. Conforme apurado pela reportagem, foram apreendidos o computador utilizado pelo responsável pelo setor de licitações e documentos relacionados a empresas participantes de pregões eletrônicos.
Os policiais também realizaram buscas na Secretaria Municipal de Obras. Outra linha de investigação apura a suspeita de existência de empresas de fachada utilizadas nos contratos públicos.
Em nota, a Prefeitura de Cajuru informou que colaborou integralmente com a operação, fornecendo os documentos solicitados pela Polícia Civil. A administração afirmou que aguarda o andamento das investigações para avaliar a adoção de medidas administrativas e reiterou o compromisso com a transparência.



