Saiba qual a relação da igreja com a cerveja
A história da cerveja entrelaça-se com a história da religião de forma surpreendente. A produção da bebida evoluiu significativamente dentro dos mosteiros, locais que abrigavam não apenas textos religiosos, mas também receitas ancestrais. A relação entre cerveja e divindades é tão antiga que diversas culturas reverenciavam deuses e santos cervejeiros.
Deuses e Deusas Cervejeiras: Uma História Sagrada
Em tempos em que a fermentação era um mistério (a levedura só foi descoberta por volta de 1860), a cerveja, com sua capacidade de alterar a consciência, era frequentemente associada a rituais, sacrifícios e milagres, adquirindo um caráter sagrado. A falta de compreensão científica sobre o processo de produção contribuiu para a construção de um simbolismo místico em torno da bebida. A cerveja, além de bebida, era também uma importante fonte nutricional, impulsionando a busca por métodos de produção mais eficientes.
Diversas culturas atribuíam a criação e o dom da cerveja a divindades. Entre elas, destaca-se Ninkasi, deusa mesopotâmica considerada a mais famosa, dona da mais antiga receita conhecida. Outras divindades associadas à cerveja incluem Albina (Irlanda), Osíris (Egito/Grécia – Silênus, na Grécia; Kalevava, na Finlândia), Ceres (Roma) e os guinomos e trols da mitologia belga.
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A Igreja e a Cerveja: Uma Relação Íntima
A Igreja Católica também desempenhou um papel crucial na história da cerveja. São Patrício, figura central da cultura irlandesa, é o santo mais conhecido associado à bebida. Outros santos, como Agostinho, Arnulfo de Metz, Venceslau, Lourenço, Bárbara, Brígida da Irlanda e Dorothea de Cesareia, também têm ligações com a cerveja. Um caso emblemático é o de Santo Arnulfo, que durante uma peste na Europa, recomendou o consumo de cerveja em detrimento da água contaminada, salvando muitas vidas. Iudegar de Bin, uma cientista pouco lembrada, é creditada pela introdução do lúpulo na produção cervejeira, deixando um legado significativo para a sociedade.
A associação da cerveja com santos e deuses não a torna pecaminosa. Mosteiros e monges sempre foram importantes para a cultura cervejeira, e até hoje produzem cervejas excepcionais. A moderação, contudo, é sempre recomendada.
Cervejas Inspiradas na História
Algumas cervejas modernas homenageiam essa rica história: a Deus (cerveja belga), La Chouffe (com um guinomo no rótulo), a francesa Canner (cerveja de trigo com um padre no rótulo) e a holandesa Malatrap (feita por monges). São exemplos saborosos de como a tradição cervejeira continua viva e presente em nossas mesas, lembrando a longa e fascinante jornada da cerveja, desde os deuses antigos até os dias atuais.