Colunista fala sobre doces conventuais lusitanos
A doçaria conventual portuguesa é um universo de sabores e histórias, repleto de criatividade e tradição. Por trás da beleza e variedade dos doces, existe uma fascinante narrativa que envolve a produção de ovos nos conventos e a destreza das freiras na utilização das gemas.
Das Gemas aos Doces: Uma Tradição Conventual
Os conventos portugueses, autossuficientes em muitos aspectos, produziam ovos em larga escala. As claras eram usadas para engomar hábitos e clarear vinhos, sobrando um grande excedente de gemas. Essa abundância de gemas, aliada à criatividade das freiras, deu origem a uma vasta gama de doces, quase todos com a característica cor amarelo-dourada.
A Riqueza da Nomenclatura e a Influência do Açúcar
A doçaria conventual portuguesa ostenta uma nomenclatura rica e peculiar: Arroz Doce, Lambarices do Bispo, Tolsinho dos Anjos, Ovos Moles, entre muitos outros. A introdução da cana-de-açúcar, vinda do Sudeste Asiático, via Goa, e a subsequente produção de açúcar no Brasil, impulsionou ainda mais a produção de doces, enriquecendo-os e diversificando seus sabores.
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A Doçaria Conventual no Brasil: Uma Herança Cultural
Apesar da popularidade dos doces conventuais em Portugal, sua recepção no Brasil foi inicialmente tímida. Uma coleção de receitas publicada há 14 anos teve pouco impacto, devido às preferências locais por doces mais tradicionais. No entanto, a influência da doçaria portuguesa é inegável, com confeitarias lusitanas trazendo seus sabores para o Brasil e alguns doces, como o pão-de-ló, integrando-se completamente à cultura brasileira. A variedade e a criatividade dos doces conventuais portugueses, com seus nomes e sabores únicos, continuam a inspirar e encantar, representando um capítulo importante da história da confeitaria mundial.



