Vítima diz que cirurgião do Hospital Municipal de Colina pediu R$ 1,3 mil, enquanto anestesista cobrou R$ 520
Uma paciente do Hospital Municipal José Venâncio, em Colina, passou por uma experiência traumática após uma cirurgia pelo SUS. A vítima, que prefere não se identificar por medo de represálias, relata ter sido cobrada indevidamente pelo médico e pelo anestesista. A família pagou R$ 1.300 ao médico e R$ 520 ao anestesista, sem o conhecimento da paciente, que descobriu a cobrança durante o procedimento.
Cobrança Indébita e Negligência Médica
A paciente relata que, ao questionar a cobrança, o anestesista afirmou que não trabalhava de graça. A cirurgia, que durou quatro horas, resultou em complicações pós-operatórias graves. A vítima afirma ter sofrido dores intensas, impossibilitando-a de realizar tarefas básicas, e que suas condições de saúde e trabalho foram severamente afetadas. Ela relata ter retornado ao hospital cinco vezes devido à dor e que até hoje não recuperou sua qualidade de vida.
Investigação e Consequências
Após a denúncia da paciente, funcionários do hospital inicialmente duvidaram da veracidade dos fatos, atribuindo o relato ao efeito dos anestésicos. No entanto, a negligência médica foi comprovada. O médico e o anestesista foram indiciados pela polícia e denunciados pelo Ministério Público por cobrar por uma cirurgia e anestesia de paciente do SUS, recebendo duplamente (dos pacientes e do SUS). A justiça proibiu ambos de exercerem suas atividades no hospital. O provedor do hospital também está sendo investigado por suposta omissão diante do esquema de corrupção.
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Desfecho e Implicações
O delegado Fernando César Galetti afirma ter instaurado dois inquéritos e recebido mais de dez denúncias semelhantes. O processo corre em segredo de justiça, impossibilitando a divulgação de mais detalhes. A pena para os médicos pode chegar a 12 anos de prisão, além da perda do cargo público. O provedor do hospital se recusou a comentar o caso, alegando segredo de justiça. O ocorrido expõe a fragilidade do sistema e a necessidade de maior transparência e fiscalização para garantir a segurança e o bem-estar dos pacientes.



