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Pediatra fala das consequências de doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti

Professora da USP e neonatologista Marisa Márcia Muci participou do 'Giro CBN'
Doenças transmitidas Aedes Aegypti
Professora da USP e neonatologista Marisa Márcia Muci participou do 'Giro CBN'

Professora da USP e neonatologista Marisa Márcia Muci participou do ‘Giro CBN’

A relação entre o Zika vírus e a microcefalia em bebês tem sido objeto de intensos estudos e debates na comunidade científica. A seguir, exploramos os principais pontos dessa discussão, com base na entrevista da professora Marisa Mussi, especialista em neonatologia.

A Complexidade da Causalidade

Estabelecer uma relação de causa e efeito entre um agente infeccioso, como o Zika vírus, e uma consequência na saúde, como a microcefalia, exige rigor científico. É fundamental considerar o que aconteceria com a gestação na ausência da infecção pelo vírus. A microcefalia pode ser resultado de diversos fatores, incluindo agentes tóxicos, doenças genéticas e outras infecções. A identificação de numerosos casos de microcefalia no Nordeste brasileiro, após uma grande epidemia de Zika, levantou a suspeita de uma associação, mas ainda são necessários dados definitivos para confirmar essa causalidade.

Avanços na Pesquisa

Apesar das incertezas, avanços significativos foram alcançados. O Zika vírus foi detectado no líquido amniótico e em tecidos de fetos cujas mães foram infectadas, o que é uma evidência razoável da presença do vírus e da ocorrência de microcefalia. No entanto, é importante lembrar que outras infecções congênitas também podem ser transmitidas da mãe para o feto, como o citomegalovírus, que nem sempre causa alterações nos bebês. Um estudo realizado no Rio de Janeiro com mulheres infectadas pelo Zika vírus revelou que nem todos os fetos desenvolveram microcefalia, indicando que a relação entre o vírus e a malformação é complexa e multifatorial.

Recomendações e Cuidados

O primeiro trimestre de gestação é o período mais crítico para a infecção pelo Zika vírus, pois as células embrionárias estão em rápido desenvolvimento e são mais vulneráveis. A principal recomendação para as gestantes é proteger-se da exposição ao Aedes aegypti, utilizando repelentes, roupas que protejam o corpo e eliminando focos do mosquito. É crucial ressaltar que nem toda mulher infectada pelo Zika vírus durante a gravidez terá um bebê com microcefalia. Após o nascimento, é fundamental que o pediatra avalie a criança para identificar possíveis comprometimentos e oferecer estimulação precoce, visando otimizar o desenvolvimento e a recuperação.

Diante desse cenário, é essencial que as gestantes mantenham a calma, busquem orientação médica e sigam as recomendações de prevenção, cientes de que a maioria das crianças expostas ao Zika vírus não desenvolverá quadros graves.

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