Uma pesquisa com participação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) propõe uma estratégia sustentável para descontaminar solos afetados pela atrazina, herbicida utilizado principalmente nas lavouras de milho e cana-de-açúcar. O estudo combina biochar, feijão-de-porco e bactérias do gênero Pseudomonas para aumentar o potencial de degradação do produto no ambiente. Segundo os dados reunidos pelos pesquisadores, cerca de 22 mil toneladas do herbicida foram comercializadas no Brasil em 2023.
A proposta utiliza o biochar, material rico em carbono produzido a partir do aquecimento de resíduos orgânicos, para reter moléculas do herbicida e melhorar as propriedades do solo. O feijão-de-porco pode estimular a atividade dos microrganismos por meio das raízes, enquanto as bactérias contribuem para a degradação da atrazina. A estratégia também pode favorecer a retenção de água, a disponibilidade de nutrientes e a atividade microbiana, além de aproveitar resíduos agrícolas e florestais, em linha com os princípios da economia circular.
Publicado na revista científica internacional Discover Plants, o estudo ainda precisa ser validado em condições reais de produção. Os pesquisadores apontam a necessidade de experimentos de longo prazo para avaliar a eficiência da combinação em diferentes tipos de solo e condições climáticas, além da viabilidade de aplicação na agricultura. Ouça o áudio completo do Giro do Agro para saber mais sobre a pesquisa e as possibilidades de descontaminação sustentável dos solos.