Uma pesquisa da USP em Ribeirão Preto identificou que o vírus do resfriado pode permanecer no organismo mesmo quando a pessoa não apresenta sintomas, continuando ativo e com capacidade de transmissão. A descoberta ajuda a explicar a propagação frequente de infecções respiratórias, especialmente em ambientes como escolas e creches.
O estudo foi detalhado pelo médico, virologista e professor Eurico de Arruda Neto, que destacou que o rinovírus, principal causador de resfriados, pode continuar se multiplicando no organismo, mesmo após o desaparecimento dos sintomas. A constatação acende um alerta para a transmissão silenciosa, principalmente entre crianças.
Persistência viral
De acordo com o pesquisador, o rinovírus é o agente mais comum das infecções respiratórias, causando sintomas como coriza, tosse e dor de garganta. A pesquisa revelou que, mesmo sem sintomas, o vírus pode permanecer nas amígdalas e adenoides por longos períodos.
Essa permanência ocorre de forma ativa, com o vírus ainda se replicando no organismo. Isso significa que crianças aparentemente saudáveis podem continuar transmitindo o vírus para outras pessoas, como colegas, familiares e principalmente grupos mais vulneráveis, como idosos.
O estudo também identificou que o vírus não se limita às células do trato respiratório, mas pode infectar células de defesa do organismo, como linfócitos, o que amplia a compreensão sobre sua capacidade de permanência no corpo.
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Transmissão infantil
A pesquisa analisou cerca de 300 crianças que passaram por cirurgias de retirada das amígdalas Em muitos casos, foi detectada a presença de rinovírus, inclusive do mesmo tipo encontrado nas secreções respiratórias.
Segundo o especialista, isso confirma que, mesmo sem sintomas, as crianças podem estar eliminando o vírus e contribuindo para a disseminação da doença. Esse comportamento ajuda a explicar surtos recorrentes em ambientes coletivos, como creches e escolas.
O médico também ressaltou que esse fenômeno já havia sido observado em menor escala com o vírus da gripe, o que reforça a importância de considerar a persistência viral em diagnósticos clínicos.
Prevenção e diagnóstico
Sem vacina disponível contra o rinovírus, a principal forma de prevenção está na higiene. A limpeza frequente de brinquedos, especialmente em creches, mostrou impacto direto na redução de casos de resfriado.
Estudos citados pelo pesquisador indicam que a troca e higienização de brinquedos várias vezes ao dia diminuem a circulação do vírus, já que ele pode permanecer ativo por bastante tempo em superfícies. A lavagem das mãos também é essencial para reduzir a transmissão.
Outro ponto de atenção está no diagnóstico. A presença do rinovírus em exames pode não indicar necessariamente a causa dos sintomas atuais, já que o vírus pode estar apenas persistindo no organismo. Isso exige cautela dos profissionais de saúde na avaliação dos casos.
Além disso, a vacinação contra a gripe segue sendo recomendada, pois auxilia na diferenciação de diagnósticos e na proteção contra outros vírus respiratórios. O uso de máscara, especialmente em caso de sintomas, também é apontado como uma medida eficaz para evitar a transmissão.



