Grande parte dos acusados de integrar o maior esquema de corrupção da história de Ribeirão Preto está calada
A Operação Cervandija, deflagrada pela Polícia Federal, aponta para um cenário de silêncio e contradições nos depoimentos dos investigados. Entre os principais suspeitos, vários se recusaram a responder às perguntas da polícia.
Silêncio dos Investigados
Marco Antonio dos Santos, Dimas Linguini, Jorge Luisa Min, Paulo Roberto Abril, Maria Lúcia Pandolfo e Marcelo da Lovo Filho, entre outros, permaneceram em silêncio durante os interrogatórios, não colaborando com as investigações. Essa postura, segundo o advogado Samuel Nobre Sobrinho, é garantida por lei, assegurando o direito de os investigados não se incriminarem.
Contradições e Incoerências
Outros depoimentos, embora prestados, apresentaram contradições significativas. Simone Aparecida Cicillini, por exemplo, declarou ter iniciado seu negócio em 2014 com um capital de 10 mil reais, mas recebeu 100 mil reais e mais 60 mil da empresa Atmosfera no mesmo ano. Ao ser questionada sobre a inconsistência, alegou não se lembrar de ter prestado serviços à empresa. Davi Mansur Curri, ex-chefe da Coderpi, também se envolveu em contradições ao tentar explicar a compensação de cheques emitidos por Marina Plastino em sua conta.
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Direito ao Silêncio e Delação Premiada
O advogado Samuel Nobre Sobrinho esclarece que a Constituição garante o direito ao silêncio. Os investigados podem se recusar a responder perguntas que possam incriminá-los, sem sofrer qualquer punição por essa omissão. Entretanto, em casos de delação premiada, como o do ex-diretor técnico Duda Erpe, Luisa Alberto Mantilha, a colaboração exige a veracidade das informações prestadas. A primeira fase da operação resultou em 31 denúncias, demonstrando a complexidade das investigações e a dificuldade em obter informações consistentes.



