Moradores e motoristas que passam por importantes avenidas de Ribeirão Preto convivem há cerca de dois anos com estruturas de pontes abandonadas em diferentes regiões da cidade. As obras, que tinham como objetivo melhorar a fluidez do trânsito, foram interrompidas após impasses entre a Prefeitura e a construtora responsável pelos projetos.
Uma das estruturas fica na Via Norte, onde seria construída uma ponte sobre o Ribeirão Preto para ligação com a avenida Rio Pardo, na zona norte. A outra está no cruzamento entre as avenidas Presidente Kennedy e Maurílio Biagi. Nos dois locais, vigas de concreto, ferragens expostas e mato alto chamam a atenção de quem passa pela região.
Obras paradas
Segundo reportagem da CBN Ribeirão, as duas construções chegaram a ter movimentação de máquinas e trabalhadores, mas as intervenções foram interrompidas ainda no início das obras. Atualmente, os canteiros estão sem equipamentos, placas informativas e estruturas de proteção.
Na Via Norte, as vigas de concreto permanecem expostas ao tempo após a retirada do alambrado e da placa da obra. Já na avenida Presidente Kennedy, além das ferragens aparentes, parte da cerca de proteção foi danificada, permitindo acesso ao local.
As estruturas geram questionamentos frequentes da população, principalmente pela localização estratégica das obras, planejadas para melhorar o trânsito em vias de grande movimento da cidade.
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Impasse judicial
O secretário de Obras de Ribeirão Preto, Walter Telli, explicou que as duas obras foram vencidas pela mesma empresa em processo licitatório. Segundo ele, a construtora apresentou desconto de cerca de 20% sobre o valor previsto, percentual acima do ofertado pelas demais concorrentes.
De acordo com o secretário, após o início das obras, a empresa passou a solicitar aditivos contratuais alegando dificuldades financeiras e supostos pagamentos insuficientes por parte da Prefeitura. Como os pedidos não foram aceitos, a construtora abandonou os trabalhos e acionou a Justiça.
No caso da ponte entre a avenida Presidente Kennedy e a Maurílio Biagi, a ação judicial já foi encerrada e a Prefeitura deve iniciar o processo de rescisão contratual para realizar uma nova licitação. Já a obra da Via Norte segue travada judicialmente, sem prazo para conclusão do processo.
Valores pagos
Walter Telli afirmou ainda que a Prefeitura não quitou integralmente os contratos e que os pagamentos realizados correspondem apenas aos serviços executados até o momento.
Segundo ele, na obra da Via Norte, embora a placa indicasse empenho de aproximadamente R$ 2,4 milhões, apenas cerca de R$ 200 mil foram efetivamente pagos à construtora, referentes à produção das vigas de concreto.
A administração municipal informou que, após o encerramento dos processos, será feita uma avaliação técnica para verificar a possibilidade de reutilização dos materiais já instalados nas obras.



