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Preço do açúcar bate recorde e ameaça puxar inflação

Desvalorização cambial e alta no custo da produção elevam a saca a mais de R$ 80
Preço do açúcar
Desvalorização cambial e alta no custo da produção elevam a saca a mais de R$ 80

Desvalorização cambial e alta no custo da produção elevam a saca a mais de R$ 80

A cotação do açúcar no mercado de São Paulo atingiu um novo recorde na semana passada, com a saca de 50 quilos alcançando R$ 87,07. Esse valor representa um aumento de 62% em comparação com o mesmo período de 2014. A alta na cotação do açúcar impulsiona a geração de empregos e a renda local, sendo uma das principais apostas para a recuperação do setor na safra 2016-2017.

Impacto dos Problemas Climáticos Globais

Antônio Eduardo Tonelo Filho, diretor de uma produtora de cana de açúcar, explica que recentes problemas climáticos na Índia, um dos maiores produtores mundiais de açúcar, têm reduzido os estoques do produto, elevando gradualmente os preços no cenário internacional desde setembro. A queda na produção é atribuída principalmente ao fenômeno climático El Niño, que causa excesso de chuvas no Sudeste do Brasil e seca na Índia, Tailândia e Nordeste brasileiro. Essa situação afeta a produtividade e diminui a produção de açúcar nos três maiores produtores mundiais: Brasil, Índia e Tailândia. Com a produção menor em relação à demanda, o mercado internacional pressiona os preços para cima, com a perspectiva de déficit na produção mundial em 2016.

Oportunidade de Recuperação para Produtores

Tony Aelo destaca que este é o momento para as produtoras recuperarem as perdas dos anos anteriores, que levaram ao fechamento de várias usinas no país e a demissões. A expectativa é que os preços mais altos permitam a retomada da demanda e a contratação de funcionários para produzir como antes. No entanto, com o início da safra de cana em março/abril, a tendência é que os preços do açúcar e do etanol se retraiam, seguindo a lógica do mercado de oferta e demanda.

Efeito no Bolso do Consumidor

O açúcar cristal está 60% mais caro em comparação com janeiro de 2015, quando a saca custava R$ 51,53, e quatro vezes mais caro em relação a 2004, quando chegou a R$ 17,80. Essa elevação afeta diretamente o custo de alimentos como pães e doces. Joaquim Antônio de Araújo, vice-presidente do sindicato da indústria de panificação e confeitaria de Ribeirão, afirma que o açúcar é o segundo item mais utilizado na matéria-prima da padaria, presente em quase todos os produtos, o que inevitavelmente se reflete no custo final para o consumidor. Ele estima que, em relação a outubro do ano anterior, o custo do açúcar para os estabelecimentos do setor aumentou 50%, impactando os preços para os clientes.

A consumidora Lúcia Bertonde relata que, devido ao aumento dos preços, precisou adaptar suas receitas para reduzir o consumo de açúcar. Já o policial militar reformado Ladaíru José Carlos Musto observa o reajuste nos preços nos supermercados, notando que o pacote de açúcar que custava R$ 5,00 atrásra está R$ 8,50. Ele ressalta que a classe mais pobre é a que mais sofre com essa situação, e que tem diminuído a quantidade de açúcar utilizada para equilibrar o orçamento.

Pesquisadores da Esalq/USP apontam que a desvalorização da moeda brasileira em relação ao dólar, que atingiu cotações acima de R$ 4,00, faz com que o açúcar atinja o maior valor em treze anos no país, mesmo que no mercado internacional o produto não tenha atingido o preço mais alto na cotação em dólar.

Diante desse cenário, consumidores e produtores buscam alternativas para lidar com as oscilações do mercado e garantir o acesso a esse importante produto.

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