O presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho, afirmou à Polícia Federal que tinha conhecimento de que pilotos da companhia deixavam de registrar algumas falhas técnicas nos livros de bordo das aeronaves. O depoimento foi prestado na terça-feira (5), durante a investigação sobre a queda do voo 2283, que matou 62 pessoas em Vinhedo, em agosto de 2024.
A declaração faz parte dos depoimentos reunidos pela Polícia Federal após a conclusão do inquérito que resultou no indiciamento de 16 pessoas entre funcionários e executivos da empresa. A investigação apontou uma sequência de fatores meteorológicos, falhas técnicas e problemas operacionais como responsáveis pela tragédia.
Depoimento
Segundo José Luiz Felício Filho, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) já havia alertado a companhia sobre a prática de pilotos não registrarem determinados problemas técnicos. De acordo com o presidente da Voepass, alguns profissionais deixavam para comunicar falhas apenas em aeroportos com estrutura de manutenção disponível.
O inquérito da Polícia Federal apontou que a empresa desenvolveu uma cultura de omissão de falhas, o que permitiu que problemas recorrentes no sistema de degelo da aeronave permanecessem sem registros formais e sem a atuação necessária da manutenção.
Durante o depoimento, o presidente da Voepass também afirmou que a aeronave que caiu não deveria estar operando nas condições enfrentadas no dia do acidente, com previsão de formação de gelo severo durante o trajeto entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP).
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Responsabilidades
Questionado sobre as decisões relacionadas ao voo, José Luiz Felício Filho afirmou que houve falhas tanto no despacho operacional quanto na condução da aeronave pela tripulação.
Apesar disso, o presidente declarou que sua atuação era estratégica e institucional e que áreas como manutenção, segurança operacional e despacho de voos estavam sob responsabilidade de diretores e gerentes da companhia.
Ele também afirmou que a empresa passava por fiscalizações frequentes da ANAC e reconheceu a existência de processos e apontamentos relacionados à operação e à manutenção da frota.
Investigação
Com a conclusão do inquérito, a Polícia Federal encaminhou o caso ao Ministério Público Federal, que agora avalia se apresenta ou não denúncia contra os 16 indiciados.
A investigação sobre a queda do voo 2283 continua sendo acompanhada pela reportagem da CBN, que segue trazendo detalhes dos depoimentos e dos próximos passos do caso.



