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Priorização do etanol pode inflacionar preço do açúcar

Valorização do etanol tem fomentado a produção do combustível em detrimento ao açúcar, que deve encarecer
Preço do açúcar
Valorização do etanol tem fomentado a produção do combustível em detrimento ao açúcar, que deve encarecer

Valorização do etanol tem fomentado a produção do combustível em detrimento ao açúcar, que deve encarecer

A produção de açúcar no Brasil enfrenta desafios significativos. Dados da União das Usinas de Cana de Açúcar (Unica) mostram que, até a segunda quinzena de junho, apenas 37,67% da cana processada foi destinada à fabricação de açúcar, uma queda acentuada em comparação aos 50,5% do mesmo período do ano passado.

Preços pouco atrativos e excesso de oferta

Segundo Antônio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da Unica, o preço do açúcar no mercado interno brasileiro não é atrativo para os produtores. Diferentemente de outros países com mercados internos fortes, o Brasil é altamente dependente da exportação, o que resulta em preços internos muito próximos aos preços de exportação, ambos abaixo dos custos de produção. Esse cenário, aliado a um excesso de oferta no mercado internacional, contribui para a situação atual.

Etanol: a opção mais vantajosa

Em contraponto, a produção de etanol apresenta resultados positivos. O aumento da mistura de etanol na gasolina, previsto pelo programa RenovaBio, deve impulsionar ainda mais a produção de etanol a longo prazo. No entanto, para a safra atual e a próxima, a produção de etanol se mantém vantajosa para as empresas, com um aumento de 30,44% na produção total (2,35 bilhões de litros) em relação ao mesmo período do ano passado. A produção de etanol hidratado cresceu ainda mais, com um aumento superior a 60%. A expectativa é que, em 2028, a demanda por etanol chegue entre 40 e 45 bilhões de litros, o que indica uma predominância da produção de etanol na safra brasileira, possivelmente ultrapassando 70% da cana processada.

Perspectivas futuras

Apesar das dificuldades enfrentadas pelo setor sucroenergético, a Unica trabalha em conjunto com o governo federal para buscar incentivos à produção de açúcar. Embora não haja um prazo definido, a expectativa é de que o mercado se estabilize. A produção de açúcar diminuiu 23,69% nos últimos 15 dias de junho, atingindo 2,28 milhões de toneladas, enquanto a produção de etanol de milho também apresentou um crescimento significativo, com um aumento de 171% em relação ao ano passado. A longo prazo, o cenário aponta para uma maior concentração na produção de etanol, impulsionada pela demanda e pelas políticas de incentivo.

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