Amaury Lelis Dal Fabbro celebra o avanço da vacinação, mas afirma que a circulação do vírus pode criar novas variantes
O governo estadual de São Paulo anunciou o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras a partir de 11 de dezembro. Entretanto, essa medida tem gerado debates entre especialistas. Para entender melhor as implicações dessa decisão, conversamos com o professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Dr. Amauri Leles da Alfabeto.
Riscos da Liberação Precoce
De acordo com o Dr. Leles, a decisão de liberar o uso de máscaras pode ser precoce. A definição de “áreas abertas” é ambígua, podendo gerar confusão e facilitar a transmissão do vírus em locais com aglomerações, mesmo ao ar livre. Ele cita a situação na Europa, onde países com baixa cobertura vacinal que relaxaram as medidas de restrição estão enfrentando uma quarta onda com a variante Delta, necessitando retomar medidas mais rígidas. O especialista defende uma postura mais cautelosa, aguardando a evolução da situação e o avanço da vacinação, especialmente em grupos mais jovens.
Avanço da Vacinação e a Importância da Cautela
O Dr. Leles destaca a importância de uma cobertura vacinal completa, principalmente em indivíduos abaixo de 30 anos, onde a imunização ainda não atingiu níveis ideais. Ele ressalta a necessidade de concluir a segunda dose e aplicar a dose de reforço para alcançar um patamar de proteção mais seguro. A liberação do uso de máscaras em um período de grande movimentação, como o fim de ano, com suas festas e aglomerações, é considerada por ele uma decisão arriscada, que pode dificultar uma eventual volta às medidas restritivas. Prefeituras de cidades como Franca, Ribeirão Preto, Bebedouro e Barretos optaram por manter o uso obrigatório até o fim do ano, uma decisão que o especialista apoia.
Carnaval e Mutações Virais
O Dr. Leles também expressou preocupação com o Carnaval, lembrando que eventos similares foram responsáveis pelo surgimento da segunda onda da pandemia. A realização de festas em espaços abertos ou fechados representa um risco considerável de contágio. Ele enfatiza a necessidade de monitorar a situação da pandemia e a possível disseminação de novas variantes. A ocorrência de mutações virais está diretamente ligada à quantidade de casos e transmissão do vírus, reforçando a importância de medidas preventivas. A decisão sobre o Carnaval, portanto, deve ser tomada com cautela, considerando a evolução da situação epidemiológica.
Em resumo, a liberação do uso de máscaras em São Paulo gera controvérsias. A experiência de outros países, o andamento da vacinação e a proximidade de eventos com grande potencial de aglomeração exigem uma avaliação criteriosa e um acompanhamento constante da situação.



