Uso indiscriminado de antibiótico abre espaço para superbactérias; Julieta Ueta alerta sobre os riscos da automedicação
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou recentemente para o uso indiscriminado de medicamentos, principalmente antibióticos, intensificado durante a pandemia. No Brasil, a automedicação é um problema grave, sendo a principal causa de intoxicações, superando até mesmo produtos de limpeza, agrotóxicos e alimentos estragados, segundo dados da Fiocruz.
Riscos da Automedicação
A automedicação atinge principalmente jovens entre 18 e 24 anos (85%), com alta incidência também entre 25 e 34 anos (83%). Entre 35 e 44 anos, a taxa é de 78%, e acima de 65 anos, 59%, conforme relatório do Conselho Federal de Medicina. A professora Julieta Oeta, da USP de Ribeirão Preto, destaca o agravamento do problema, mesmo com alertas, e a utilização excessiva de antibióticos durante a pandemia como um fator crucial.
Consequências da Prática
O uso inadequado de medicamentos leva a sérias consequências. Até 10% das internações hospitalares são resultado da automedicação. A professora Oeta alerta para o desenvolvimento de bactérias resistentes a antibióticos devido ao uso indiscriminado. Além disso, a automedicação pode mascarar sintomas de doenças graves, atrasando o diagnóstico e tratamento adequado. A fácil disponibilidade de medicamentos em casa também aumenta o risco de acidentes com crianças, que podem ingerir remédios visualmente atraentes.
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Recomendações e Cuidados
A recomendação principal é evitar ao máximo a automedicação. Mantenha em casa apenas os medicamentos essenciais e com prescrição médica. Nunca quebre comprimidos ou abra cápsulas sem orientação farmacêutica. Descarte corretamente os medicamentos vencidos ou não utilizados. Em caso de dúvidas, procure sempre orientação médica ou farmacêutica. A combinação de medicamentos pode causar interações perigosas, e até mesmo a associação de medicamentos aparentemente inofensivos pode ter consequências graves. A automedicação é um risco sério que pode levar a consequências irreversíveis para a saúde. Priorize sempre a orientação profissional para garantir o uso seguro e eficaz dos medicamentos.



