Empresários reclamam dos atrasos nos repasses do Governo Federal e dizem que demissões se tornam inevitáveis
O mercado recessivo e a crise econômica têm afetado duramente a população brasileira, que já contabiliza mais de 12 milhões de desempregados. Para tentar amenizar os impactos, o governo federal criou em 2015 o Programa de Proteção ao Emprego (PPE), mas sua eficácia tem sido questionada.
Desafios do PPE
Apesar de seu objetivo ser auxiliar empresas em dificuldades financeiras, o PPE tem apresentado baixa adesão por parte de pequenas e médias empresas. Entre as que aderiram, a maioria (70%) pertence ao setor automobilístico, sendo predominantemente empresas de grande porte. O programa prevê redução da jornada e salários dos funcionários em até 30%, com o governo arcando com metade dessa perda salarial (15%).
Impactos negativos e atrasos nos repasses
Na prática, relatos apontam que o repasse governamental não tem sido cumprido, gerando prejuízos significativos para as empresas participantes. Um exemplo é uma fábrica de motores em São Carlos que, após aderir ao programa, enfrentou atrasos de seis meses no repasse de R$ 350 mil. Funcionários também sofreram com a redução salarial, impactando diretamente suas finanças. A situação levou algumas empresas a considerarem novas demissões, caso o cenário não mude.
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Perspectivas e posicionamentos
A Volkswagen, dona da fábrica de São Carlos mencionada, afirma que continua no programa, mas não utiliza a jornada reduzida, e que os repasses do governo sempre estiveram em dia. O governo federal, por sua vez, em nota recente, confirmou o pagamento das folhas de junho e julho. Apesar disso, a situação demonstra a fragilidade do programa e a necessidade de revisão para garantir sua efetividade e evitar consequências negativas para empresas e trabalhadores.



