O médico oncologista Diocésio Andrade explica sobre os mitos e verdades sobre a reconstrução mamária e os riscos de câncer
O Instituto Oncoclínicas de Ribeirão Preto alerta sobre mitos e verdades do uso de próteses de silicone em mulheres que passaram por tratamento de câncer de mama. O diagnóstico de câncer gera preocupações, medos e incertezas, especialmente no caso do câncer de mama, que afeta a autoestima devido à possível queda de cabelo e à cirurgia de retirada da mama.
Reconstrução Mamária e Cirurgia Conservadora
Com o avanço da medicina, a reconstrução mamária é possível. Há cerca de 10 a 12 anos, a cirurgia conservadora (retirada parcial da mama) se tornou uma opção, desde que o nódulo seja pequeno e a mama tenha volume suficiente. Após a cirurgia conservadora, a radioterapia é necessária para reduzir o risco de recidiva. Anteriormente, acreditava-se que a retirada completa do tecido mamário era essencial, mas estudos mostraram que a cirurgia conservadora seguida de radioterapia apresenta resultados semelhantes em termos de controle da doença.
Angelina Jolie e a Cirurgia Profilática
O caso de Angelina Jolie, que realizou uma mastectomia dupla preventiva, é emblemático. A indicação para a retirada das duas mamas ocorre em casos de mutação nos genes BRCA1 e BRCA2, que aumentam o risco de câncer de mama e de ovário. Essa cirurgia profilática é indicada para mulheres com mutação nesses genes, representando cerca de 7 a 10% dos casos de câncer de mama. A detecção dessas mutações pode ser sugerida por histórico familiar de câncer de mama, diagnóstico precoce (abaixo de 35 anos) ou tipo de câncer triplo negativo.
Próteses de Silicone e Amamentação
Mulheres que passaram por tratamento de câncer de mama podem usar próteses de silicone, sem aumento significativo do risco de recidiva. É importante ressaltar que, se houve radioterapia, é recomendado esperar pelo menos um ano antes da reconstrução para evitar deformações. A amamentação após a reconstrução mamária é possível, dependendo da quantidade de tecido mamário remanescente. Não há contraindicações, exceto a impossibilidade de produção de leite. A amamentação, inclusive, previne outros riscos, como gravidez indesejada e alguns tipos de câncer. A reconstrução mamária não aumenta o risco de reincidência do câncer, e técnicas modernas permitem a simetrização das mamas após o tratamento. Em casos de simetrização com tecido mamário irradiado, a radioterapia é necessária para reduzir o risco de recidiva.
Em resumo, o avanço da medicina oferece diversas opções para mulheres com câncer de mama, desde a cirurgia conservadora até a reconstrução mamária com próteses de silicone, sem comprometer a saúde ou a qualidade de vida. A informação e o acompanhamento médico são fundamentais para tomar as melhores decisões.


