Moagem da cana-de-açúcar é 35,8% menor do que a expectativa inicial; diretor técnico da Unica explica o cenário
O preço dos combustíveis tem sido um assunto recorrente, principalmente o etanol. Um caminhoneiro de Ribeirão Preto, atualmente na Bahia, reportou preços de gasolina a R$ 7,39 (comum e aditivada) e etanol a R$ 5,99 em Araci-BA. Este último preço se assemelha ao encontrado em algumas cidades de São Paulo, indicando um impacto da safra de cana.
Safra de Cana: Início Lento e Preços Elevados
A safra de cana de 2024 começou mais lenta que o esperado, especialmente no Centro-Sul. A moagem está 35,8% abaixo da expectativa inicial, e a produção de etanol hidratado 21,5% menor. A produção de açúcar também sofreu, com queda de 50% no volume produzido. Isso indica que a esperada queda nos preços dos combustíveis será menor este ano.
Impactos Climáticos e Redução na Produção
Em entrevista ao programa Manhã CBN, Antônio Padua Rodrigues, diretor técnico da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), atribuiu a situação a diversos fatores. A falta de água em 2023 (a menor em 10 anos), geadas em julho (atingindo 800 mil hectares) e incêndios em setembro afetaram significativamente a produção. A redução na área de colheita, devido à necessidade de renovação dos canaviais, também contribuiu para a menor oferta de matéria-prima. Padua destaca que a produtividade deve ter uma pequena recuperação, mas a oferta de cana será menor, resultando em uma safra mais limitada.
Leia também
Cenário de Mercado e Preços Futuros
Segundo Padua, os preços do etanol dependerão mais do mercado de combustíveis do que da produção de cana. Apesar do etanol estar abaixo de R$ 6,00 enquanto a gasolina ultrapassa R$ 7,00, a demanda continua alta, com mais de 1,4 bilhões de litros de etanol hidratado consumidos em abril. A baixa oferta e a alta demanda impedem uma queda significativa nos preços. A expectativa é de que a situação melhore somente a partir de junho ou julho, com a entrada de mais usinas em operação e aumento da produção. A indústria se prepara para investir na renovação dos canaviais para as próximas safras, buscando melhorar a produtividade e a oferta de matéria-prima.
Apesar dos desafios, a indústria se mantém otimista, aguardando uma recuperação gradual nos próximos anos, com investimentos em tecnologia e renovação dos canaviais. O setor busca mitigar os impactos climáticos e garantir a sustentabilidade da produção de etanol e açúcar.



