Ribeirão Preto começa em setembro uma nova estratégia de combate à dengue, zika e chikungunya. O município vai liberar mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia, que impede a transmissão dos vírus dessas doenças pelo inseto.
A medida será implementada inicialmente nas regiões Norte e Oeste, consideradas áreas mais sensíveis do ponto de vista epidemiológico. A primeira etapa contempla 11 bairros e deve alcançar mais de 141 mil moradores.
Método Wolbachia
A bactéria Wolbachia é considerada inofensiva para os seres humanos e, segundo a Prefeitura de Ribeirão Preto, impede que os vírus da dengue, zika e chikungunya contaminem o mosquito. A estratégia é fazer com que os insetos com a bactéria se reproduzam com os mosquitos já existentes no ambiente e se tornem predominantes.
O projeto terá investimento de R$ 4 milhões, dividido igualmente entre o governo federal e a Prefeitura de Ribeirão Preto. A tecnologia é desenvolvida pela Fiocruz em parceria com o Ministério da Saúde e será operada pela Wolbito do Brasil.
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Segundo a Prefeitura, o método é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A estratégia também já foi utilizada em outros países e cidades brasileiras.
Produção local
Ribeirão Preto recebeu uma estrutura para a produção dos mosquitos que serão liberados no município. Os ovos com Wolbachia são enviados de uma biofábrica em Curitiba para a cidade, onde são colocados em recipientes com água para que os insetos nasçam e sejam preparados para a liberação.
De acordo com Gabriel Silvestre Ribeiro, gerente de implantação do projeto que representa a Wolbito Brasil, o ciclo de desenvolvimento do Aedes aegypti com Wolbachia dura entre 12 e 14 dias. A produção local permitirá a amplificação dos mosquitos adultos para a soltura em campo.
O método será aplicado em um momento de forte redução dos casos de dengue em Ribeirão Preto. A cidade registra 372 casos confirmados neste ano, uma queda de 90% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados mais de 21,5 mil casos. Em 2024, o município chegou a quase 45 mil confirmações.
Segundo Gabriel, a estratégia já apresentou resultados em diferentes locais. Ele cita reduções nos casos de dengue na Austrália, Indonésia, Vietnã e em Niterói, no estado do Rio de Janeiro.
Além de Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Araraquara e São Carlos também devem receber a tecnologia. A Prefeitura afirma que as ações de combate à dengue, como campanhas educativas, limpeza e eliminação de criadouros, serão mantidas.



