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Apostas online afetam cada vez mais mulheres e aumentam risco de endividamento

Pesquisa mostra que mulheres veem bets como forma de complementar a renda e aponta impactos financeiros e psicológicos causados pelo vício
Apostas
Designs feitos por Wpadington de Getty Images

As apostas online têm afetado cada vez mais mulheres no Brasil. Pesquisa com mais de 2 mil pessoas mostra que muitas apostadoras enxergam as bets como uma possibilidade de complementar a renda, enquanto o hábito pode provocar endividamento e impactos na saúde mental.

Dados do estudo indicam que 72% das mulheres que apostam são mães. Entre os entrevistados, 67% das mulheres e 59% dos homens afirmaram que as apostas estão acabando com as famílias brasileiras.

Mulheres e bets

Segundo a pesquisa, as mulheres com filhos apresentam maior probabilidade de entrar nas apostas do que aquelas sem filhos. A diretora do estudo, Mariana Ribeiro, explica que muitas enxergam o jogo online como uma maneira rápida de conseguir dinheiro para ajudar nas despesas do dia a dia.

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No ano passado, as famílias brasileiras desembolsaram R$ 62 milhões do orçamento com apostas, segundo dados apresentados no Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, com base em informações do Banco Central.

Apesar de os homens ainda representarem a maioria dos apostadores, com cerca de 66%, 42% das mulheres afirmam que apostam ou já apostaram. O levantamento também mostra que 62% das mulheres defendem a proibição das casas de apostas, contra 50% dos homens.

Dívidas e saúde mental

A busca pelo ganho financeiro pode levar à perda de reservas, contratação de empréstimos e aumento das dívidas. Uma mulher entrevistada, que preferiu não ser identificada, afirmou ter perdido mais de R$ 250 mil em dois anos, além de vender o carro para tentar quitar os débitos.

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Segundo ela, a situação também provocou consequências psicológicas. Hoje, depende da ajuda de familiares até para necessidades básicas e relata sentimento de vergonha diante da própria situação.

A psicóloga Vilma Aparecida Dias explica que o vício pode começar com a sensação de recompensa provocada pelos ganhos e evoluir para uma tentativa de recuperar o dinheiro perdido. Para interromper esse ciclo, segundo ela, é necessário reconhecer a existência do problema, aceitar a dependência e buscar ajuda profissional, além do apoio da família.

Busca por ajuda

De acordo com a especialista, o tratamento pode envolver acompanhamento psicológico ou uma equipe multiprofissional. O primeiro passo é admitir que as apostas deixaram de ser apenas uma atividade ocasional e passaram a provocar consequências na vida da pessoa.

A pesquisa também aponta que 62% das mulheres apoiam a proibição das casas de apostas. Entre os homens, esse percentual é de 50%.

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