Marcos Fava conversou com a CBN Ribeirão
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou recentemente uma revisão da produção de cana-de-açúcar no Brasil, estimando que a safra 2014-2015 alcance 659 milhões de toneladas, um volume semelhante ao do período anterior. No entanto, essa projeção tem gerado debates e diferentes perspectivas dentro do setor.
Desafios na Produtividade e Condições Climáticas
Marcos Fava Neves, professor de estratégia da FEA-USP de Ribeirão Preto, expressou surpresa com a projeção da Conab. Segundo ele, as perdas de cana, especialmente no estado de São Paulo, que representa mais de 60% da produção nacional, podem ser maiores do que as estimadas. Fava Neves aponta que algumas regiões enfrentam perdas de 10% a 20% da produção, o que o leva a acreditar que a projeção total da Conab pode estar superestimada.
Além disso, o estudo da Conab indica um aumento na área de corte, sugerindo um maior plantio de cana. No entanto, o professor ressalta que a produtividade tem diminuído, o que é um problema para o setor. A cana-de-açúcar tem perdido produtividade por hectare nos últimos 10 anos, enquanto os custos de produção, como terra, mão de obra e insumos, aumentam.
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Impacto Regional e a ‘Morte Súbita’ da Cana
As condições climáticas também têm sido desfavoráveis para a cultura da cana. De acordo com levantamentos, o regime hídrico tem sido o pior desde 1937, especialmente no estado de São Paulo. Esse cenário tem levado ao que está sendo chamado de ‘morte súbita’ da cana, com as usinas processando a cana mais rapidamente devido à falta de chuvas.
A safra deve terminar mais cedo, e pode haver falta do produto no final do ano. Fava Neves critica a política do governo federal de subsídio ao preço da gasolina e da eletricidade, argumentando que essa medida prejudica o setor de cana-de-açúcar. Ele também questiona os dados da Conab, que indicam um aumento na produção de açúcar, mesmo com a redução na produção de etanol.
Cenário Futuro e a Necessidade de Planejamento
O especialista aponta que o setor de cana-de-açúcar está rompendo a lei da oferta e da procura, com preços menores mesmo diante de uma procura maior e uma oferta menor. Ele critica a falta de planejamento do governo em relação ao setor e defende a aprovação da alta do teor de etanol na gasolina, embora reconheça que essa medida terá efeito apenas no próximo ano.
Diante desse contexto, o setor sucroenergético enfrenta desafios significativos que exigem atenção e planejamento para garantir a sustentabilidade da produção e o atendimento à demanda por etanol e açúcar.



