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Santa Casa de Ribeirão Preto apura saída de idoso com Alzheimer internado após AVC

Hospital abriu sindicância para investigar como paciente de 71 anos deixou a unidade e ficou desaparecido por quase 24 horas
Santa Casa
Hospital abriu sindicância para investigar como paciente de 71 anos deixou a unidade e ficou desaparecido por quase 24 horas

A Santa Casa de Ribeirão Preto instaurou uma sindicância para apurar como um idoso de 71 anos, internado após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC), conseguiu deixar o hospital sem ser impedido. O paciente, Nilson Ferreira de Oliveira, permaneceu desaparecido por quase 24 horas e foi encontrado a cerca de 8 quilômetros da unidade.

Segundo a família, Nilson também tem Alzheimer, estava debilitado e desorientado. Ele deixou o hospital por volta das 15h de segunda-feira (27), mas os familiares afirmam que só foram comunicados aproximadamente quatro horas depois. O idoso foi localizado na manhã do dia seguinte, no bairro Heitor Rigon, na zona Norte de Ribeirão Preto. Ao ser encontrado, Nilson relatou que caminhou por cerca de duas horas após sair da Santa Casa e que passou a noite ao relento, usando mato para se proteger do frio.

A sindicância aberta pela Santa Casa deverá esclarecer como o paciente conseguiu deixar a unidade e se houve falhas no acompanhamento durante a internação. Entre os pontos que serão apurados estão a existência de uma eventual alta médica, se o paciente deixou o hospital por iniciativa própria e se a família foi comunicada conforme os procedimentos adotados pela unidade. A investigação também deve identificar por qual acesso Nilson deixou o hospital e quais profissionais tiveram contato com ele antes da saída.

Responsabilidade

Para o advogado especialista em Direito Médico e Hospitalar, Marcos Túlio Paranhos da Costa, o hospital tem responsabilidade pela segurança do paciente enquanto ele permanece sob seus cuidados.

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Segundo ele, além do dever de preservação da saúde do paciente, o Estatuto do Idoso garante o direito a acompanhante em tempo integral durante a internação. O advogado também citou normas do Sistema Único de Saúde (SUS) voltadas ao acompanhamento de pacientes com comprometimento cognitivo.

Marcos Túlio afirmou ainda que, caso exista uma alta médica, é responsabilidade da equipe orientar sobre os riscos da saída sem acompanhante e comunicar os familiares ou contatos cadastrados quando necessário.

Outros relatos

Outro ponto que chama a atenção é que Nilson foi encontrado ainda com o acesso venoso no braço, o que, segundo o advogado, pode indicar que ele deixou uma enfermaria ou área de observação sem que a situação fosse percebida pelos profissionais responsáveis pelo atendimento e pela segurança da unidade.

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Após a repercussão do caso, outros pacientes e familiares relataram situações semelhantes envolvendo a Santa Casa de Ribeirão Preto. A aposentada Rosalina Barbosa afirmou que o marido, de 78 anos, recebeu alta e retornou sozinho para casa de ônibus, sem que ela ou a filha, cujos contatos haviam sido informados ao hospital, fossem avisadas.

Enquanto a sindicância segue em andamento, a família de Nilson Ferreira de Oliveira aguarda respostas sobre como o idoso conseguiu deixar o hospital e quais medidas poderiam ter evitado que ele permanecesse desaparecido durante a noite.

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