Tempo frio e a falta de chuvas impedem a proliferação do mosquito aedes aegypti; cidade registra mais de 5600 casos da doença
Ribeirão Preto enfrenta um aumento significativo de casos de dengue, com mais de 5.600 pessoas infectadas de janeiro a maio. Esse número é 30 vezes maior que o registrado no mesmo período do ano passado e supera as parciais de cinco dos dez anos anteriores considerados epidêmicos na cidade.
Situação epidemiológica e perspectivas
Apesar de classificada como uma epidemia de pequena proporção, a situação é preocupante. O médico infectologista Dr. Fernando Crevelante Vilar explica que a tendência é de declínio nos casos a partir de junho, devido à diminuição das chuvas e ao ciclo de vida do mosquito Aedes aegypti. Ribeirão Preto, proporcionalmente, apresenta menos casos que outras cidades da região, como São Joaquim da Barra e Araraquara. Isso se deve, em parte, ao fato de o vírus da dengue tipo 2, atualmente predominante, já ter circulado anteriormente na cidade, resultando em um menor número de pessoas suscetíveis à infecção.
Fatores de risco e prevenção
O vírus da dengue tipo 2, embora o mais agressivo atualmente, não é o único causador da doença. Todos os tipos de vírus da dengue podem levar à dengue hemorrágica, sendo o risco maior para quem já foi infectado anteriormente. Em abril, foram registradas duas mortes por dengue na cidade. A prevenção continua sendo a principal arma no combate à doença. A conscientização da população é fundamental, pois o mosquito tem um alcance de voo considerável. A eliminação de criadouros em residências e arredores é crucial, assim como a utilização de inseticidas eficazes, considerando a resistência crescente dos mosquitos aos produtos tradicionais.
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As zonas leste e norte de Ribeirão Preto concentram o maior número de casos confirmados. Não houve casos confirmados de febre chikungunya e zika vírus até o momento, embora tenham sido registradas suspeitas. A prefeitura realiza ações de conscientização e nebulização, mas a participação da população na prevenção é essencial para o controle da dengue. A resistência do mosquito à estiagem também é um fator a ser considerado, pois os ovos do Aedes aegypti podem permanecer viáveis por até um ano e meio, aguardando a presença de água para eclodir.


