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Superior Tribunal de Justiça permite o cultivo da cannabis sativa para uso medicinal

Anvisa tem seis meses para regulamentar a prática; advogado, Vitor Balieiro, fala da decisão para quem faz uso do canabidiol

Anvisa tem seis meses para regulamentar a prática; advogado, Vitor Balieiro, fala da decisão para quem faz uso do canabidiol

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu por unanimidade permitir o cultivo de uma variedade da planta Cannabis sativa com baixo teor de substância psicoativa, Superior Tribunal de Justiça permite o, exclusivamente para fins medicinais. A regulamentação desse cultivo ficará a cargo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da União, que têm um prazo de seis meses para estabelecer as normas.

A decisão ainda pode ser contestada por meio de recurso, mas já gera expectativa positiva entre profissionais que atuam com a substância. Segundo Vitor Balheiro, advogado da Associação Terapêutica de Canábia Medicinal Flora da Vida, a medida representa um avanço diante da ausência de regulamentação legislativa no Brasil, embora com algumas ressalvas, especialmente pela limitação ao uso do canabidiol (CBD), excluindo outros canabinoides com potencial terapêutico.

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Formas atuais de acesso ao cannabis medicinal

Atualmente, o acesso ao cannabis medicinal no Brasil ocorre de duas formas principais: via importação de medicamentos prescritos por médicos, sem regulamentação da Anvisa, o que implica custos elevados e riscos assumidos pelo paciente; e por meio de medicamentos produzidos por indústrias farmacêuticas nacionais, que utilizam insumos importados.

Impactos da decisão do STJ: Com a decisão do STJ, as indústrias farmacêuticas poderão cultivar a planta no Brasil, o que pode gerar empregos, renda e tributos no país, além de potencialmente reduzir o custo dos medicamentos para os pacientes. No entanto, a limitação ao cultivo de plantas com baixo teor de THC (tetra-hidrocanabinol) pode prejudicar pacientes que utilizam outros canabinoides, já que o primeiro medicamento regulamentado pela Anvisa em 2016 continha maior concentração de THC do que de CBD.

Desafios e regulamentação futura: O prazo de seis meses para a regulamentação deverá detalhar as condições do cultivo, incluindo aspectos como rastreabilidade genética, restrições geográficas, métodos de plantio e requisitos para os trabalhadores do setor, o que pode excluir pessoas com antecedentes criminais, muitas vezes relacionadas ao uso da substância. A decisão não autoriza o cultivo doméstico para fins pessoais, que atualmente depende de autorizações judiciais individuais, processo considerado burocrático e complexo.

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Informações adicionais

Associações de pacientes, como a representada por Vitor Balheiro, produzem medicamentos com espectro completo de canabinoides, incluindo THC, e têm obtido resultados positivos em tratamentos. A decisão do STJ, ao restringir o THC a 0,3%, pode limitar o acesso a esses tratamentos. O acesso doméstico ao cultivo para uso medicinal permanece condicionado a decisões judiciais criminais, o que evidencia a necessidade de avanços legislativos e educacionais para esclarecer a população sobre o uso medicinal da planta e reduzir o preconceito.

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