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Taxa de recusa para doação de órgãos segue alta no Brasil

Apesar do aumento do número de doadores, 43% da população ainda se nega a entrar no cadastro de doação
doação de órgãos
Apesar do aumento do número de doadores, 43% da população ainda se nega a entrar no cadastro de doação

Apesar do aumento do número de doadores, 43% da população ainda se nega a entrar no cadastro de doação

Esperança e Angústia no Transplante de Órgãos

Jovino Novas de Souza, comerciante, conhece bem a angústia da espera por um transplante de rim. Após três anos na fila, ele finalmente recebeu um novo rim, mas lembra com sofrimento dos três anos de hemodiálise: “Eu passava mal da máquina, eu chegava a vomitar, eu passava mal, a pressão subia muito, muito ruim para quem faz essa parte, hemodiálise”.

Falta de Informação Impede Salvação de Vidas

A Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) afirma que, apesar do aumento no número de doadores, a falta de informação impede que muitas vidas sejam salvas. A taxa de recusa de doação de órgãos por familiares no Brasil é de 43%, enquanto a média mundial é de 25%. Judite dos Santos, enfermeira-chefe da Organização de Procura de Órgãos em Ribeirão Preto e Região, atribui essa alta taxa à falta de informação sobre a doação de órgãos e à cultura ocidental de evitar conversas sobre a morte: “Por desconhecer a vontade da pessoa que faleceu, porque é um assunto que nunca é abordado em casa, a morte, na cultura ocidental a gente não fala sobre morte. Então quando acontece uma morte encefálica, que é para ter a doação de órgãos ou de algum tecido, a família não sabe a vontade daquela pessoa”. A decisão sobre a doação, na maioria dos casos, cabe aos familiares.

Números e Realidade em Ribeirão Preto

O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto realiza cerca de 40 transplantes de fígado por ano, com meta de 60 para 2018. Em 2017, foram registradas 193 notificações de morte encefálica na região, das quais 49 famílias não autorizaram a doação. De janeiro a setembro de 2017, foram realizados 4.400 transplantes de rim no Brasil, 7% a mais que no mesmo período de 2016. Jovino reforça a importância da doação, incentivando as famílias a conversarem sobre o assunto e a não terem medo de autorizar a doação, lembrando também da possibilidade de doação em vida. “É muito importante a família divulgar um com o outro da família e pedir mesmo para doar os órgãos, a gente fica muito debilitado, quando a gente precisa de um rim a gente fica louco. Se o pessoal fizer todo mundo da família ajudar e doar mesmo vivo, quanto mais ele se precaver a vida dele vai dobrar. Se ele viver 60 anos ele vive 70, ele fazendo a doação em vida”, afirma.

A experiência de Jovino destaca a urgência de conscientizar a população sobre a importância da doação de órgãos, superando barreiras culturais e informativas para salvar vidas.

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