Uso de aplicativos de entrega cresce e altera perfil de quem trabalha no setor
As plataformas digitais de alimentação e entrega, como o iFood, transformaram o mercado de trabalho, impactando o perfil dos trabalhadores. O setor de entregas, em particular, experimentou um aumento de mais de 25% no número de trabalhadores nos últimos dois anos. Essa nova realidade apresenta vantagens e desvantagens, oferecendo mais oportunidades e autonomia, mas também exigindo longas jornadas para garantir uma renda satisfatória e sem os benefícios tradicionais.
A Busca pela Autonomia e os Desafios Financeiros
Susana Gonçalves, por exemplo, trocou seu emprego para trabalhar como motorista por aplicativo. Ela está constantemente atenta ao celular, aguardando a próxima corrida. Apesar da flexibilidade, ela não possui carteira assinada e precisa de um planejamento financeiro rigoroso. Sua rotina é intensa, chegando a trabalhar quase 20 horas por dia para garantir sua renda. Ela destaca que, como qualquer empreendimento, é necessário ter um planejamento e uma reserva financeira para iniciar nesse ramo, pois o retorno financeiro pode levar tempo.
O Excesso de Trabalho e o Crescimento do Setor
Um efeito colateral comum nesse tipo de trabalho é a necessidade de longas jornadas para aumentar os ganhos. No entanto, o interesse por essa modalidade continua crescendo. Um levantamento do IBGE, em parceria com a Universidade de Campinas e o Ministério Público do Trabalho, revelou um aumento de 25% no número de trabalhadores que utilizam plataformas digitais como principal fonte de renda em 2024, em comparação com 2022. Esse total atingiu cerca de 1,7 milhão de pessoas, representando 25% dos ocupados no setor privado.
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Perfil dos Trabalhadores e a Busca por Complemento de Renda
Marcos Cardoso Alves, secretário-geral do Cin de Monto, de São Paulo, explica que houve um aumento no número de trabalhadores autônomos desde a pandemia, impulsionado pela busca por flexibilidade nos horários. A pesquisa também traçou o perfil desses trabalhadores: a maioria é homem (83,9%), com idade entre 25 e 39 anos e nível de escolaridade médio (59% com ensino médio completo). Muitos utilizam as plataformas como complemento de renda, buscando uma fonte extra para alcançar objetivos financeiros.
Edison da Maceno, que trabalha com entregas há 5 anos, encontrou nessa atividade sua principal fonte de renda. Ele trabalha todos os dias, das 10h à meia-noite, e afirma que consegue pagar suas contas e manter suas finanças em ordem. Apesar do rendimento médio por hora ser menor em comparação com outros trabalhadores, ele compensa com a quantidade de horas trabalhadas.
A realidade das plataformas digitais oferece uma alternativa para quem busca flexibilidade e a possibilidade de complementar a renda, mas exige planejamento, longas jornadas e a consciência de que a rotina será intensa.



