Começo do ano, tradicionalmente, é de queda nas vendas; número de contratos de aluguel aumentou 5% no período
O Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP) divulgou um estudo sobre o mercado imobiliário de Ribeirão Preto em janeiro de 2023, revelando uma queda de 20,56% nas vendas em comparação a dezembro de 2022. Apesar disso, o número de novos contratos de locação aumentou 5% no mesmo período.
Queda nas Vendas: Um Cenário Sazonal?
José Augusto Viananeto, presidente do Creci-SP, atribui a queda nas vendas ao período pós-festas de fim de ano, caracterizado por baixa frequência de negócios imobiliários. Ele destaca que, apesar da retração em janeiro, o acumulado de vendas em 2023 em Ribeirão Preto demonstra um crescimento significativo, indicando um mercado imobiliário forte na região. A explicação para a queda, segundo Viananeto, reside em fatores sazonais, como o retorno às atividades escolares e o pagamento de contas do início do ano, que desviam o foco das famílias para outras prioridades.
Alta nos Aluguéis: Um Sinal de Preocupação
A alta no número de locações, no entanto, apresenta um cenário preocupante. A maioria dos novos contratos resulta da devolução de imóveis por locatários que não conseguiram arcar com os reajustes de aluguel, principalmente ao final dos contratos de 30 meses, quando os proprietários podem reajustar os valores livremente. Com a alta demanda e a baixa oferta de imóveis, os proprietários conseguem locar seus imóveis por valores significativamente maiores, forçando os antigos inquilinos a buscarem alternativas mais acessíveis, geralmente em regiões periféricas. Embora a média de valores de aluguel possa parecer menor, essa situação representa um grande transtorno para as famílias que precisam se mudar, impactando sua rotina e a vida escolar dos filhos.
Perspectivas para o Mercado Imobiliário
Viananeto considera a situação dos alugueis como um problema estrutural, sem solução imediata. A falta de investidores no setor residencial, que preferem imóveis corporativos devido a legislação mais favorável e maior rentabilidade, contribui para o déficit habitacional e a pressão sobre os preços. Ele defende incentivos governamentais, como redução de tributos para investidores em imóveis residenciais, e uma revisão da Lei do Inquilinato, que, segundo ele, desfavorece os proprietários. A maioria dos imóveis para locação pertence a pessoas comuns que utilizam a renda extra para complementar suas despesas, tornando a situação ainda mais complexa.



