Médico pediatra Ivan Savioli Ferraz fala sobre a campanha ‘Agosto Dourado’ e as vantagens que o leite materno trás aos bebês
Agosto chegou, e com ele, a importância da hora de ouro, o momento do aleitamento materno. Neste artigo, conversamos com o pediatra Dr. Ivan Savioli Ferraz sobre a amamentação.
Taxas de Amamentação no Brasil e no Mundo
A taxa de amamentação exclusiva até os seis meses de idade está em torno de 44% no mundo e 46% no Brasil, segundo dados de 2022 e 2019, respectivamente. Menos da metade das mães conseguem amamentar seus filhos exclusivamente nesse período, apesar dos inúmeros benefícios comprovados do leite materno.
Desafios para a Amamentação
Diversos fatores contribuem para essa baixa taxa. Entre eles, o desconhecimento dos benefícios, a crença errônea de que a fórmula infantil é equivalente ao leite materno, a falta de apoio social e a pressão social, incluindo o tabu do aleitamento em público. A falta de proteção trabalhista para as mães e a influência do marketing de fórmulas infantis também são fatores relevantes. A orientação inadequada por leigos também pode dificultar o processo de amamentação, assim como práticas hospitalares que desestimulam a amamentação, como a oferta de fórmula para mães que fizeram cesariana.
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Benefícios do Leite Materno e sua Composição
O leite materno é um alimento completo e adaptável. Sua composição varia ao longo do dia e de acordo com a dieta da mãe, mas sempre supre as necessidades nutricionais do bebê. O leite inicial é mais aguado, rico em nutrientes hidrossolúveis, enquanto o leite final é mais gorduroso, essencial para o desenvolvimento do cérebro e do sistema nervoso. A composição também se adapta à idade gestacional do bebê prematuro. Crianças amamentadas exclusivamente ao seio apresentam menor risco de obesidade, doenças autoimunes, alergias e leucemia na primeira década de vida. Além disso, estudos apontam para um melhor desempenho cognitivo em testes de inteligência.
Em resumo, a amamentação exclusiva até os seis meses é fundamental para a saúde e o desenvolvimento infantil, e a sociedade precisa se mobilizar para apoiar as mães nesse processo, desmistificando crenças errôneas e garantindo o acesso a informações e suporte adequados.