Doenças como fibromialgia podem ter sintomas reduzidos quando alimentos inflamatórios, como açúcares e café são retirados
A nutrição pode ser aliada no controle da dor, inclusive em quadros complexos como a fibromialgia, afirma a nutricionista Cristina Trovó. Em entrevista, ela explica como mudanças na alimentação podem reduzir processos inflamatórios e melhorar sintomas como dor generalizada, fadiga e distúrbios do sono.
Por que a alimentação importa na fibromialgia
Segundo Cristina Trovó, a fibromialgia tende a estar associada a inflamação e, por isso, o primeiro passo é reduzir ou eliminar alimentos que potencializam esse processo. “Açúcares, doces, café, produtos industrializados com aditivos e bebida alcoólica favorecem a inflamação e podem agravar a dor”, diz a especialista. Ela afirma que a retirada desses itens costuma trazer melhora significativa nos sintomas.
O que retirar e por quanto tempo
A recomendação é manter uma fase de exclusão dos alimentos inflamatórios por cerca de três meses. Após esse período, é possível reintroduzir o consumo eventual de alguns itens, desde que se mantenha diariamente uma dieta rica em alimentos antioxidantes e anti-inflamatórios. Cristina alerta que mesmo alternativas consideradas “mais naturais” — como açúcar orgânico — continuam sendo inflamatórias. Entre as opções menos ruins, ela cita o açúcar de coco (por seu índice glicêmico mais baixo) e, de forma cautelosa, o mel, que geralmente não é indicado no início do processo.
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Nutrientes-chave e substituições benéficas
Além de retirar o que inflama, é essencial incluir alimentos com ação anti-inflamatória e antioxidante. Exemplos apontados pela nutricionista são frutas ricas em vitamina C (laranja, acerola, limão), abacate e fontes de ômega-3, como chia e linhaça. Cristina destaca também a importância de checar a vitamina D, já que níveis baixos estão associados a quadros mais graves de fibromialgia.
O magnésio merece atenção especial: como cofator enzimático, ele ajuda no relaxamento muscular e na melhoria do sono. Para aumentar a ingestão, a profissional recomenda folhas verdes escuras — rúcula, chicória e couve — em vez da alface americana, que tem menor densidade nutricional.
A nutróloga reforça que o álcool é particularmente prejudicial, pois promove picos de glicemia e inflamação, e que a mudança alimentar deve ser parte de um plano individualizado, acompanhado por profissional de saúde.
Para quem convive com dor crônica, a especialista sugere buscar orientação nutricional personalizada e considerar a alimentação como componente central do cuidado multidisciplinar, aliado a acompanhamento médico e demais terapias indicadas.