Quem fala desta relação e seus efeitos para saúde humana é a psicóloga Danielle Zeoti na coluna ‘CBN Comportamento’
Um estudo realizado na Coreia do Sul e comentado em programa de rádio sugere que brincar com animais de estimação altera a atividade cerebral e pode reduzir o estresse. Em entrevista, a psicóloga Daniela Zeotti explicou os achados e relacionou-os a benefícios comportamentais observados em diferentes faixas etárias.
O estudo e o método
A pesquisa acompanhou 30 adultos, com idade média em torno de 28 anos, que interagiram com a mesma cadela poodle de quatro anos. Os participantes realizaram atividades como acariciar, massagear, alimentar, brincar e passear com o animal, enquanto sua atividade cerebral era registrada por eletroencefalograma (EEG), exame não invasivo que mede ondas cerebrais.
O que as ondas cerebrais revelam
Os pesquisadores observaram que diferentes atividades com o pet ativavam padrões distintos de ondas cerebrais. Alimentar e brincar produziram índices relacionados à sensação de relaxamento, enquanto passear despertou sinais associados à concentração. Segundo Zeotti, esse foi o primeiro estudo a demonstrar alterações neurológicas objetivas durante a interação com um animal, embora o tamanho reduzido da amostra imponha cautela na generalização dos resultados.
Leia também
Benefícios comportamentais e implicações práticas
Além das alterações neurológicas, a presença de um animal de estimação traz efeitos comportamentais: promove socialização durante passeios, incentiva atividade física e gera sentimento de responsabilidade e afeto. Zeotti relatou casos em que famílias notaram melhora em crianças tímidas após a adoção de um pet interativo. Ela ressalta, entretanto, que o efeito depende de simpatia prévia pelo animal — fobias ou aversão anulam o benefício — e que a escolha do bicho deve se adequar à rotina do tutor para não virar fonte de estresse.
Pequenos mamíferos peludos, como coelhos, porquinhos-da-índia ou hamsters, também podem proporcionar interação afetiva quando o espaço ou a rotina impedem cães e gatos. Zeotti lembra ainda que, quando não for possível ter um animal, assistir a vídeos de bichos nas redes sociais pode acionar respostas cerebrais semelhantes às observadas no estudo.
Embora não deva ser encarado como prescrição médica, o contato afetivo com animais aparece como um recurso cotidiano que pode contribuir para a prevenção e o cuidado da saúde mental, especialmente em relação a ansiedade e depressão. A sugestão é aproveitar essas possibilidades com bom senso e responsabilidade, escolhendo o tipo de animal que melhor se encaixe nas condições e afetos de cada pessoa.