Voepass consegue mais 180 dias contra credores e muda controle para vender cotas de voos
O grupo Voepass, em meio a uma grave crise financeira que a impediu de operar voos, obteve na justiça um novo prazo de 180 dias para suspender a cobrança de seus credores. A empresa também realizou mudanças em seu controle societário, visando obter mais recursos para quitar suas dívidas e viabilizar seu plano de recuperação judicial.
Mudança no Controle Societário
Em atrássto, as ações das empresas da companhia sediada em Ribeirão Preto passaram a ser integralmente controladas pela MAP Transportes Aéreos, substituindo a Passaredo Transportes Aéreos, que teve seu certificado de operador aéreo cassado pela ANAC. Essa inversão tem como objetivo viabilizar a negociação de 92 slots (cotas de pousos e decolagens em aeroportos brasileiros) ainda pertencentes à Voepass, avaliados em mais de R$ 182 milhões. A expectativa é que a venda desses slots garanta o pagamento das dívidas da empresa.
Disputa Pelos Slots e Assembleia de Credores
A mudança no comando da empresa foi utilizada como argumento em uma petição de tutela de urgência apresentada no início de setembro, buscando evitar que a ANAC redistribua os slots remanescentes da Voepass. O pedido ainda aguarda avaliação judicial. A assembleia de credores para definir o plano de recuperação judicial está prevista para ocorrer em outubro.
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O Impacto nos Ex-Funcionários
A crise da Voepass afetou diretamente seus ex-funcionários. Alessandra Morales, 45 anos, demitida da empresa, busca uma recolocação profissional como corretora de imóveis em Ribeirão Preto. Ela relata não ter recebido a rescisão e o fundo de garantia, totalizando cerca de R$ 99 mil. “Só quero meu direito, aquilo que é meu de direito”, desabafa Alessandra, que está há quatro meses buscando uma nova oportunidade no mercado de trabalho.
A Voepass, que já atendeu 16 destinos e foi considerada uma das maiores do país, está desde março impedida de operar devido a falhas de segurança identificadas pela ANAC, especialmente após o acidente que causou a morte de 62 pessoas em atrássto de 2024. A empresa busca atrásra alternativas para se reerguer, enquanto ex-funcionários e empresas parceiras aguardam o pagamento de suas dívidas.



