O Agosto Laranja é um período de conscientização sobre a esclerose múltipla, doença neurológica, crônica e autoimune que afeta o sistema nervoso central. A campanha busca ampliar o conhecimento da população sobre os sinais da doença, incentivar o diagnóstico precoce e combater a desinformação e o preconceito.
Em entrevista à CBN, o médico neurologista Sidney Godói explicou que a esclerose múltipla ocorre quando o próprio organismo reage contra estruturas do corpo, afetando a mielina, uma camada que envolve os nervos e auxilia na transmissão dos impulsos nervosos.
Sintomas
Segundo o especialista, a doença é mais comum em mulheres entre 20 e 40 anos, mas também pode ocorrer em outras faixas etárias e em homens. Os principais sinais de alerta são alterações neurológicas que surgem de forma progressiva ao longo de horas ou de um dia.
Entre os sintomas mais frequentes está a alteração da visão, que pode começar com uma perda visual em um dos olhos, deixando a imagem borrada, turva ou embaçada. O quadro pode se intensificar durante alguns dias e depois apresentar melhora, completa ou parcial.
O neurologista também cita outras alterações que podem indicar a doença, como perda de força em um lado do corpo, formigamento ou sensação de anestesia, dificuldade de equilíbrio, visão dupla e mudanças na capacidade de caminhar.
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Tratamento
Apesar de ser uma doença crônica e sem cura atualmente, o médico destaca que os tratamentos evoluíram e permitem um melhor controle da esclerose múltipla. O diagnóstico precoce é considerado importante para reduzir os impactos dos episódios inflamatórios.
Durante as crises, quando há falhas neurológicas causadas pelo processo inflamatório, são utilizados medicamentos, como corticoides em altas doses por alguns dias, para tentar reduzir os sintomas e possíveis sequelas.
Além disso, existem tratamentos preventivos que atuam no processo autoimune e buscam diminuir a ocorrência de novos episódios de inflamação nos nervos, tanto no cérebro quanto na medula.
Prevenção
O neurologista também destacou alguns fatores associados ao aumento da possibilidade de desenvolver a doença, como baixos níveis de vitamina D, predisposição genética, contato com o vírus Epstein-Barr e o tabagismo.
Os hábitos de vida também são apontados como importantes para a saúde neurológica. O especialista recomenda alimentação equilibrada, prática de atividade física e controle de doenças como diabetes, pressão alta e colesterol elevado.
Sidney Godói ainda ressaltou a relação entre obesidade, principalmente na infância, e o aumento dos casos de esclerose múltipla. Segundo ele, cuidar da saúde ao longo da vida pode contribuir para reduzir riscos e complicações.



