O agronegócio brasileiro deve registrar bons números em 2026, com perspectivas positivas para culturas como cana-de-açúcar, soja e milho. Apesar disso, o cenário segue desafiador, principalmente por conta dos custos elevados de produção e das incertezas climáticas ao longo do ano.
A avaliação é da presidente do conselho da Abag Ribeirão Preto, Mônica Bergamaschi, que destaca a necessidade de atenção redobrada dos produtores. Segundo ela, o equilíbrio entre produtividade e controle de custos é essencial diante de um ambiente marcado por variáveis externas e internas que impactam diretamente o campo.
Mesmo com indicadores favoráveis, o setor enfrenta uma equação complexa que exige eficiência e planejamento. Para a especialista, o produtor rural brasileiro segue como peça-chave, lidando com desafios constantes para manter a competitividade.
Clima instável
As condições climáticas têm sido um dos principais fatores de preocupação para o agro em 2026. De acordo com Mônica, o início do ano foi marcado por chuvas abaixo da média até fevereiro, seguido por volumes elevados em março e abril, o que trouxe impactos distintos para diferentes culturas.
Enquanto algumas lavouras conseguiram se recuperar, em outras regiões o excesso de chuva prejudicou a colheita. Além disso, há previsão de fenômenos climáticos que podem intensificar variações térmicas e afetar diretamente a produtividade, como o risco de florescimento na cana-de-açúcar, que compromete a qualidade e o teor de açúcar. Esse cenário reforça a necessidade de gestão eficiente e adaptação constante por parte dos produtores, especialmente em um país com grande diversidade climática como o Brasil.
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Custos elevados
Outro desafio destacado é o aumento dos custos de produção, impulsionado por fatores como a alta no preço de insumos, combustíveis e produtos importados. Itens como adubos e diesel seguem pressionando o orçamento do produtor.
Diante disso, a recomendação no setor é clara: comprar bem, produzir com eficiência e vender estrategicamente. A busca por maior produtividade se torna fundamental para compensar os custos elevados e garantir a sustentabilidade financeira das operações. A especialista ressalta que esse cenário exige profissionalização e elimina espaço para improviso no campo, tornando o planejamento ainda mais decisivo.
Tecnologia e cooperação
A adoção de novas tecnologias e o fortalecimento do cooperativismo aparecem como caminhos importantes para enfrentar os desafios. Máquinas movidas a etanol, produção de biodiesel nas propriedades e soluções inovadoras já fazem parte da realidade do setor.
Além disso, o crescimento de cooperativas e associações tem permitido que produtores compartilhem recursos, acessem tecnologias e reduzam custos operacionais. Esse modelo facilita a contratação de serviços, aquisição de equipamentos e acesso a assistência técnica. Para Mônica, a união entre produtores e o uso de soluções tecnológicas são fundamentais para ampliar a competitividade. Ela também destaca o potencial do Brasil na transição energética, com o etanol como alternativa sustentável e estratégica para reduzir a dependência externa.



