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Alckmin defende ajuste fiscal, redução de juros e diálogo com o Congresso em entrevista à CBN

Vice-presidente falou sobre economia, tarifas dos Estados Unidos, agronegócio, indústria e propostas para estimular pequenos negócios durante entrevista às rádios CBN Campinas e Ribeirão Preto
Alckmin
Foto: Wilton

O vice-presidente Geraldo Alckmin defendeu a necessidade de ajuste fiscal, redução da taxa de juros e diálogo com o Congresso Nacional para avançar em reformas e estimular o desenvolvimento econômico do país. Em entrevista às rádios CBN Campinas e CBN Ribeirão Preto, durante compromissos de campanha em Campinas, ele também abordou o custo de vida, a relação comercial com os Estados Unidos, os desafios da indústria brasileira e as medidas voltadas aos microempreendedores.

Na conversa, Alckmin afirmou que o próximo governo precisará aproveitar a legitimidade das urnas para avançar em reformas administrativa, política e do Judiciário. Ele também defendeu a redução dos valores destinados às emendas parlamentares e disse que o apoio da sociedade é importante para facilitar a aprovação de projetos no Congresso. O vice-presidente ainda comentou a disputa eleitoral do segundo turno, a necessidade de ampliar o diálogo com eleitores e os desafios para reduzir a polarização política. Segundo ele, a orientação do governo é manter uma relação republicana com governadores e prefeitos, independentemente de partido ou posição política.

Economia e inflação

Ao comentar a percepção de aumento no custo de vida, apesar dos indicadores econômicos positivos destacados pelo governo, Alckmin atribuiu parte da pressão inflacionária ao cenário internacional, marcado por guerras e pela alta do petróleo. Ele afirmou que a retirada de tributos sobre diesel e gasolina, além de subsídios, contribuiu para reduzir os impactos no Brasil. O vice-presidente também destacou a queda do desemprego e afirmou que o país avançou da décima para a oitava posição entre as maiores economias do mundo, segundo dados que atribuiu ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Apesar dos resultados, reconheceu que ainda há desafios, especialmente em relação ao equilíbrio das contas públicas e à redução dos juros. Sobre a possibilidade de assumir o Ministério da Fazenda em caso de vitória eleitoral, Alckmin negou ter recebido convite e afirmou que a prioridade é a disputa presidencial. Questionado se aceitaria o cargo, respondeu que cada decisão deve ser tratada no momento adequado. O vice-presidente também comparou as políticas tributárias dos governos. Ele citou a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil e a redução do tributo para rendimentos de até R$ 7.350, além da previsão de zerar os impostos sobre a cesta básica a partir de janeiro do ano seguinte, conforme afirmou na entrevista.

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Pequenos negócios

Alckmin comentou as mudanças anunciadas para o Microempreendedor Individual (MEI), incluindo o aumento do limite de faturamento anual de R$ 81 mil para R$ 110 mil e, posteriormente, para R$ 140 mil em 2028. Segundo ele, a medida busca permitir que os pequenos negócios cresçam sem precisar interromper o faturamento ou migrar imediatamente para outra categoria empresarial. Outra mudança mencionada foi a possibilidade de o MEI contratar até dois funcionários, em vez de um.

O vice-presidente ressaltou a importância dos pequenos empreendedores para a economia e atribuiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a criação do Simples Nacional e do MEI. Ao ser questionado sobre o anúncio das medidas próximo ao segundo turno, Alckmin afirmou que a iniciativa faz parte de uma política de estímulo ao empreendedorismo iniciada em governos anteriores de Lula.

Comércio exterior

Sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, como aço e alumínio, Alckmin defendeu a negociação comercial e a ampliação de investimentos entre os dois países. Segundo ele, o Brasil não representa um problema para a balança comercial americana e há espaço para aumentar a complementaridade econômica. O vice-presidente destacou a importância tanto dos Estados Unidos quanto da China para o comércio brasileiro.

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Enquanto os chineses compram principalmente commodities, como petróleo, soja, café, açúcar, carne e minério de ferro, os americanos têm maior participação na compra de produtos manufaturados e de maior valor agregado, segundo sua avaliação. Alckmin também citou acordos comerciais do Mercosul com outros mercados e afirmou que a estratégia brasileira é ampliar o acesso a compradores internacionais. Na avaliação dele, a abertura de mercados pode beneficiar a sociedade com produtos mais baratos e de melhor qualidade.

Agro e indústria

Ao abordar a relação entre o governo e o agronegócio, Alckmin afirmou que é possível conciliar o aumento da produção agrícola com a preservação ambiental e o combate à fome. Ele reconheceu, porém, que o governo precisa melhorar a comunicação com o setor e explicar melhor suas políticas. O vice-presidente também defendeu o processamento de minerais estratégicos no Brasil, em vez de concentrar a atividade na extração e exportação.

Segundo ele, a legislação aprovada estabelece regras para beneficiar esses recursos e avançar na produção de baterias, motores elétricos e veículos híbridos. Na área industrial, Alckmin citou a política Nova Indústria Brasil, voltada à inovação, sustentabilidade, competitividade e exportação. Ele destacou seis áreas prioritárias: agroindústria, saúde, cidades e mobilidade, transformação digital, transição ecológica e defesa e aeronáutica.

Inovação regional

Questionado sobre o papel das regiões de Campinas e Ribeirão Preto na transformação de pesquisas científicas em produtos, empresas e empregos, Alckmin destacou linhas de financiamento para pesquisa, desenvolvimento e inovação por meio de instituições como BNDES e Finep. Ele apontou o complexo industrial da saúde como uma das áreas com potencial de crescimento, citando a produção de medicamentos, vacinas e equipamentos.

Segundo o vice-presidente, o governo pretende ampliar o apoio à indústria farmacêutica brasileira por meio de crédito, pesquisa e desenvolvimento. Alckmin também ressaltou o potencial da região de Campinas como polo tecnológico e industrial e afirmou que a recuperação da indústria depende de investimentos em inovação e da capacidade de competir no mercado internacional.

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