O preço do diesel subiu quase 10% nas últimas semanas em Ribeirão Preto, Franca e Barretos, pressionando os custos de transporte, o que preocupa e pode provocar aumentos nos preços de alimentos e outras mercadorias. Levantamentos da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostram que, entre a primeira semana de setembro e a primeira semana de outubro, o combustível ficou quase 9% mais caro em Ribeirão Preto, teve alta superior a 8% em Franca e chegou a um aumento de 9,3% em Barretos.
Segundo o economista e professor de economia e administração, Christian Ganzert, a elevação dos preços está relacionada a uma combinação de fatores nacionais e internacionais, incluindo as oscilações do petróleo, as tensões no Oriente Médio e os custos de produção e distribuição. Mesmo com iniciativas do governo federal para subsidiar combustíveis, o aumento do diesel preocupa, especialmente pelo impacto na cadeia logística.
Na região de Ribeirão Preto, onde o transporte rodoviário tem papel importante no escoamento da produção, o encarecimento do combustível pode elevar os custos de diferentes setores da economia. O efeito tende a chegar ao consumidor por meio dos preços de alimentos, mercadorias e serviços.
Custos logísticos
De acordo com Ganzert, o aumento do diesel na região foi superior à média de 6,7% observada em cidades semelhantes. Entre os fatores que ajudam a explicar essa diferença estão a distância das unidades de transbordo e as condições logísticas.
O economista destacou que o diesel é utilizado tanto no transporte de mercadorias quanto nas máquinas empregadas na produção agrícola. No caso da cana-de-açúcar, por exemplo, o custo do combustível influencia as operações com colheitadeiras e outros equipamentos, o que pode pressionar os preços ao longo da cadeia produtiva.
Leia também
O etanol também teve aumento expressivo, especialmente em Franca, enquanto a gasolina apresentou variações menores no período analisado. Segundo Ganzert, a produção de etanol de milho, que se aproxima de 30% da composição do combustível no Brasil, contribuiu para reduzir a dependência da safra e da entressafra da cana-de-açúcar. Apesar disso, o transporte do produto até as unidades consumidoras também depende de caminhões movidos a diesel.
Impacto
A alta dos combustíveis ocorre em um momento de endividamento das famílias brasileiras, segundo o economista. Para Ganzert, o aumento pode levar trabalhadores a rever os gastos com deslocamento, buscar alternativas de transporte coletivo ou compartilhado e reorganizar o orçamento mensal.
O repasse dos custos aos consumidores também pode ocorrer de maneira desigual. De acordo com o professor, os aumentos tendem a chegar ao varejo mais rapidamente do que as reduções, porque fornecedores e comerciantes trabalham com contratos e estoques adquiridos anteriormente.
Dessa forma, produtos comprados antes da alta podem continuar sendo vendidos por preços menores durante algum tempo, dependendo da circulação das mercadorias e das condições de estoque de cada estabelecimento.
Diferenças
Ganzert explicou que as diferenças de preços entre cidades não dependem apenas dos custos locais, como aluguel, funcionários e volume de vendas dos postos. Na avaliação do economista, o cenário internacional e as condições de precificação dos combustíveis também precisam ser considerados.
Na comparação entre etanol e gasolina, o consumidor deve avaliar a relação entre o preço de cada combustível e o consumo do veículo. O professor ressaltou, porém, que a escolha também depende das características do automóvel, já que nem todos os modelos são compatíveis com o uso de etanol.
O economista acrescentou que, apesar das altas registradas nas últimas semanas, o preço do etanol havia apresentado queda significativa nos seis meses anteriores. O comportamento dos combustíveis nos próximos períodos dependerá, entre outros fatores, das condições de mercado e dos custos envolvidos na produção e na distribuição.



