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Analfabetismo funcional atinge 29% da população e expõe desafio da aprendizagem no Brasil

Indicador mostra estagnação desde 2018 e especialista alerta para falhas na aprendizagem, apesar do avanço da escolarização
Analfabetismo
inspireus de pixabay

O Brasil segue convivendo com um elevado índice de analfabetismo funcional. Dados do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) 2024 apontam que 29% da população entre 15 e 64 anos não domina plenamente habilidades básicas de leitura, escrita e matemática, percentual que permanece inalterado desde 2018.

Para o especialista em avaliação e regulação da educação superior, Antônio Esteca, o resultado evidencia que o aumento da escolarização não tem sido acompanhado pela aprendizagem efetiva. Segundo ele, muitos estudantes concluem o ensino médio sem desenvolver competências essenciais para compreender textos, interpretar informações e resolver situações do cotidiano.

Aprendizagem

De acordo com o especialista, um dos fatores que contribuem para esse cenário é o avanço dos estudantes ao longo da trajetória escolar sem que haja a consolidação do aprendizado. Ele explica que muitos alunos são promovidos de série, mas acumulam dificuldades que permanecem até o fim da educação básica.

Esteca afirma que o analfabeto funcional é aquele que consegue ler, mas não compreende o conteúdo. Essa limitação interfere em atividades simples do dia a dia, como interpretar uma bula de medicamento, entender uma notícia ou utilizar informações escritas para tomar decisões.

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Segundo o especialista, a situação é ainda mais preocupante entre os jovens, que passaram toda a vida escolar em um sistema com baixa reprovação, mas que nem sempre oferece mecanismos eficazes de recuperação da aprendizagem.

Recomposição

Na avaliação do especialista, a solução não está apenas em reprovar estudantes, mas em investir em programas estruturados de recomposição da aprendizagem. Ele defende que avaliações já existentes, como as aplicadas ao longo da educação básica, sejam utilizadas para identificar deficiências e orientar intervenções pedagógicas.

Esteca também destaca que o tempo adicional oferecido pelas escolas de tempo integral pode ser aproveitado para reforçar conteúdos em que os estudantes apresentam maior dificuldade, desde que haja estratégias eficientes e acompanhamento dos resultados.

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Outra medida apontada é aproximar o ensino da realidade dos alunos. Segundo ele, conteúdos contextualizados e aplicados ao cotidiano tornam a aprendizagem mais significativa e despertam maior interesse dos estudantes.

Reflexos

O especialista afirma que as consequências do analfabetismo funcional vão além da sala de aula e afetam diretamente o mercado de trabalho e a produtividade do país. Segundo ele, trabalhadores com dificuldades de leitura, escrita e matemática tendem a ocupar empregos de menor remuneração e enfrentar mais obstáculos para acompanhar as transformações tecnológicas.

Na avaliação de Esteca, esse cenário também reduz a capacidade do Brasil de atrair setores de alta tecnologia, que dependem de profissionais com sólida formação, especialmente em áreas como matemática e programação.

Ele ressalta ainda que o avanço da inteligência artificial não elimina a necessidade de qualificação. Para o especialista, as novas tecnologias exigem profissionais capazes de formular perguntas, interpretar respostas e desenvolver soluções, competências que dependem de uma formação educacional consistente.

Ao final da entrevista, o especialista defendeu que a educação tenha maior peso no debate público e que a população acompanhe as propostas para a área em todas as esferas do poder, considerando a aprendizagem como um dos principais desafios para o desenvolvimento do país.

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