O biometano pode ampliar as oportunidades de negócios para o setor sucroenergético e contribuir para a transição energética em Ribeirão Preto e região. O combustível, produzido a partir da purificação do biogás gerado por resíduos orgânicos, pode substituir o diesel no transporte de cargas, no transporte coletivo e em atividades industriais.
Nesta quinta-feira (15), a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo reúne representantes do poder público e da iniciativa privada em Ribeirão Preto para discutir o desenvolvimento desse mercado. O encontro busca aproximar produtores, potenciais consumidores, comercializadores e desenvolvedores de projetos, além de debater investimentos em infraestrutura e oportunidades de financiamento.
Em entrevista à CBN Ribeirão Preto, a subsecretária de Energia e Mineração do Estado de São Paulo, Marisa Barros, afirmou que o governo mapeou um potencial de produção de 6,4 milhões de metros cúbicos de biometano por dia no estado. Desse volume, 84% poderia ser produzido a partir de resíduos do setor sucroenergético. A região de Ribeirão Preto está entre os polos selecionados para o desenvolvimento desse mercado.
Potencial regional
Segundo Marisa Barros, o potencial de produção foi identificado a partir de estudos realizados pelo governo paulista em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), associações e representantes do setor produtivo. O levantamento dividiu o estado em polos de produção, selecionados com base em critérios técnicos, entre eles Ribeirão Preto e Araçatuba.
A subsecretária explicou que o biometano é obtido a partir da purificação do biogás, produzido pelo processamento de resíduos orgânicos. O combustível resultante pode substituir derivados de origem fóssil, como o óleo diesel, contribuindo para ampliar a participação de fontes renováveis na matriz energética.
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O governo estadual também desenvolve um estudo em parceria com o governo da Suécia, financiado com recursos não reembolsáveis, para dimensionar a infraestrutura necessária ao setor. O trabalho busca identificar a extensão da rede de dutos necessária para conectar os locais de produção aos mercados consumidores e estimar os custos dos investimentos, informações que devem subsidiar políticas públicas e medidas regulatórias.
Setor sucroenergético
Os resíduos da produção de cana-de-açúcar representam a maior parte do potencial de geração de biometano identificado pelo governo paulista. De acordo com Marisa Barros, 84% dos 6,4 milhões de metros cúbicos diários previstos poderiam vir dessa atividade, que já produz etanol e bioeletricidade.
O combustível pode ser utilizado pelas próprias usinas para substituir o diesel empregado em máquinas agrícolas, caminhões que transportam cana-de-açúcar e veículos responsáveis pelo transporte de etanol até os portos. Segundo a subsecretária, o estado já conta com capacidade instalada de produção de quase 1 milhão de metros cúbicos de biometano por dia, incluindo unidades ligadas ao setor sucroenergético.
A participação do segmento no encontro em Ribeirão Preto também demonstra o interesse da cadeia produtiva. Segundo Marisa, quase metade dos mais de 100 inscritos no evento representa o setor sucroenergético. A proposta é ampliar o acesso às informações, aproximar os agentes do mercado e estimular a formação de negócios que conectem a oferta do combustível à demanda.
Transporte e investimentos
Além dos resíduos agroindustriais, os aterros sanitários também podem contribuir para a produção de biometano. Na região de Ribeirão Preto, essas estruturas representam uma fonte potencial do combustível, que pode abastecer caminhões de coleta de resíduos e ônibus do transporte coletivo municipal.
Marisa Barros destacou que a substituição do diesel pelo biometano pode trazer benefícios relacionados à previsibilidade dos custos para as empresas. Como o Brasil importa parte do diesel que consome, o preço do combustível está sujeito às oscilações do mercado internacional de petróleo e às variações cambiais. O biometano, segundo a subsecretária, pode oferecer uma alternativa para reduzir a exposição dos operadores de transporte a essas variações.
A perspectiva do governo é ampliar a capacidade instalada de produção de biometano no estado. Atualmente, São Paulo conta com cerca de nove plantas instaladas. A expectativa apresentada pela subsecretária é chegar a aproximadamente 20 unidades até 2027 ou 2028, elevando a capacidade para 1,5 milhão de metros cúbicos por dia. Segundo ela, investimentos realizados ou com decisão já tomada correspondem a cerca de 25% do potencial mapeado.
O encontro em Ribeirão Preto faz parte da estratégia estadual para aproximar produtores e consumidores e desenvolver modelos de negócios que possam ser replicados em outras regiões. Depois da agenda no município, o governo pretende levar a iniciativa a Araçatuba.



