O Botafogo-SP protagonizou um caso inédito envolvendo a aplicação prática das regras de fair play financeiro no futebol brasileiro. A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) concluiu a primeira denúncia entre clubes registrada na entidade após o pagamento integral de uma dívida do Náutico com o Tricolor.
O processo foi encerrado depois que o clube pernambucano quitou os valores pendentes referentes à transferência definitiva do atacante Toró. Com a regularização da situação, a agência arquivou o caso.
Cobrança
A denúncia foi formalizada pela direção da Botafogo SA em 15 de junho. O clube alegava inadimplência do Náutico em parcela vencida da negociação envolvendo os direitos federativos e econômicos de Toró, que foi anunciado como jogador da equipe pernambucana em dezembro do ano passado.
Segundo as informações apresentadas, a cobrança já vinha sendo realizada há alguns meses. Após a denúncia, a unidade técnica da ANRESF instaurou procedimento para verificar a situação e concluiu que a dívida existia. O Náutico foi intimado a apresentar defesa ou comprovar a quitação do débito em até dez dias.
Pagamento
De acordo com a agência, o Náutico efetuou o pagamento do valor principal no próprio dia da intimação, em 16 de junho. Os encargos contratuais foram quitados três dias depois, em 19 de junho.
Leia também
- Série B terá playoffs para definir duas vagas de acesso e custeio de despesas aos clubes que tiverem fair play financeiro
- Fair play e a importância de ensinar resiliência às crianças pelo esporte e a educação pelo exemplo
- Esporte para 60+ e brasileiros indicados ao prêmio Laureus são destaques do Fair Play
No dia 22 de junho, o Botafogo-SP comunicou oficialmente à entidade que a dívida havia sido integralmente extinta, permitindo o encerramento do processo. Os valores envolvidos na negociação não foram divulgados pelo clube.
Toró nem atua mais com a camisa do Náutico e deixou o clube em março, após uma saída acertada em comum acordo com a direção. Atualmente, o atacante atua pela Portuguesa.
Fair play
O caso é considerado um marco para a aplicação do fair play financeiro no futebol brasileiro. Recentemente, a agência também atuou em outra situação envolvendo a Ponte Preta, que sofreu sanções relacionadas a atrasos salariais e deixou de ter os custos bancados pela CBF com a logística da Série B, envolvendo viagens, hospedagens e arbitragens.
Presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, que tem sido um dos dirigentes mais críticos em relação ao endividamento dos clubes, avaliou que a atuação da entidade representa um passo importante para a reorganização financeira dos clubes brasileiros.
“O fair play financeiro hoje é o principal pilar da reorganização financeira do futebol brasileiro.”
Segundo ele, a fiscalização pode ajudar a reduzir o número de inadimplências entre clubes e estimular uma gestão mais responsável.
“Os clubes precisam começar a gastar só o que eles têm realmente no orçamento.”
Dresch também chamou atenção para o volume de dívidas acumuladas pelas equipes que disputam as Séries A e B do Campeonato Brasileiro.
“Hoje os clubes brasileiros de Série A e B têm uma dívida de R$ 14 bilhões. Isso é mais do que a receita de todos os clubes em um ano.”



