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Botafogo-SP recebe pagamento de dívida do Náutico em caso inédito com ação de agência que atua pelo fair play financeiro

Tricolor acionou agência de regulação após atraso em parcela da venda de Toró e valor foi quitado pelo time pernambucano
botafogo-sp
Foto: Rafael Vieira/Náutico

O Botafogo-SP protagonizou um caso inédito envolvendo a aplicação prática das regras de fair play financeiro no futebol brasileiro. A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) concluiu a primeira denúncia entre clubes registrada na entidade após o pagamento integral de uma dívida do Náutico com o Tricolor.

O processo foi encerrado depois que o clube pernambucano quitou os valores pendentes referentes à transferência definitiva do atacante Toró. Com a regularização da situação, a agência arquivou o caso.

Cobrança

A denúncia foi formalizada pela direção da Botafogo SA em 15 de junho. O clube alegava inadimplência do Náutico em parcela vencida da negociação envolvendo os direitos federativos e econômicos de Toró, que foi anunciado como jogador da equipe pernambucana em dezembro do ano passado.

Segundo as informações apresentadas, a cobrança já vinha sendo realizada há alguns meses. Após a denúncia, a unidade técnica da ANRESF instaurou procedimento para verificar a situação e concluiu que a dívida existia. O Náutico foi intimado a apresentar defesa ou comprovar a quitação do débito em até dez dias.

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Pagamento

De acordo com a agência, o Náutico efetuou o pagamento do valor principal no próprio dia da intimação, em 16 de junho. Os encargos contratuais foram quitados três dias depois, em 19 de junho.

No dia 22 de junho, o Botafogo-SP comunicou oficialmente à entidade que a dívida havia sido integralmente extinta, permitindo o encerramento do processo. Os valores envolvidos na negociação não foram divulgados pelo clube.

Toró nem atua mais com a camisa do Náutico e deixou o clube em março, após uma saída acertada em comum acordo com a direção. Atualmente, o atacante atua pela Portuguesa.

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Fair play

O caso é considerado um marco para a aplicação do fair play financeiro no futebol brasileiro. Recentemente, a agência também atuou em outra situação envolvendo a Ponte Preta, que sofreu sanções relacionadas a atrasos salariais e deixou de ter os custos bancados pela CBF com a logística da Série B, envolvendo viagens, hospedagens e arbitragens.

Presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, que tem sido um dos dirigentes mais críticos em relação ao endividamento dos clubes, avaliou que a atuação da entidade representa um passo importante para a reorganização financeira dos clubes brasileiros.

“O fair play financeiro hoje é o principal pilar da reorganização financeira do futebol brasileiro.”

Segundo ele, a fiscalização pode ajudar a reduzir o número de inadimplências entre clubes e estimular uma gestão mais responsável.

“Os clubes precisam começar a gastar só o que eles têm realmente no orçamento.”

Dresch também chamou atenção para o volume de dívidas acumuladas pelas equipes que disputam as Séries A e B do Campeonato Brasileiro.

“Hoje os clubes brasileiros de Série A e B têm uma dívida de R$ 14 bilhões. Isso é mais do que a receita de todos os clubes em um ano.”

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