O Brasil registrou um recorde histórico de transplantes em 2025, com 31 mil procedimentos realizados, crescimento de 21% em comparação com 2022, quando foram contabilizados 25,6 mil transplantes. Os dados refletem avanços na logística, na organização do sistema nacional e na ampliação do acesso aos pacientes que aguardam por órgãos.
Em Ribeirão Preto, o Hospital das Clínicas segue como referência nacional em transplantes e captação de órgãos. O coordenador da Organização de Procura de Órgãos da unidade, Marcelo Bonvento, destacou durante entrevista à CBN Ribeirão Preto a importância do trabalho integrado das equipes responsáveis por todo o processo. Segundo o especialista, o crescimento dos transplantes envolve treinamento contínuo de profissionais, fortalecimento da logística de transporte e integração entre hospitais, equipes médicas e centrais estaduais de transplantes.
Logística integrada
Marcelo Bonvento explicou que o sistema de transplantes funciona por meio de equipes multidisciplinares que atuam 24 horas por dia em hospitais de todo o país. Essas equipes são responsáveis pelo acolhimento das famílias, identificação de doadores e organização do processo de captação e transplante.
O coordenador destacou que houve avanço significativo na logística de transporte de órgãos, com integração entre o Sistema Nacional de Transplantes, a Força Aérea Brasileira e aeronaves particulares. Segundo ele, o sistema avalia diferentes formas de transporte, incluindo carro, helicóptero e avião.
De acordo com Bonvento, a logística envolve não apenas o transporte dos órgãos, mas também de equipes médicas e insumos necessários para os procedimentos. Em alguns casos, os órgãos atravessam estados para chegar ao receptor compatível.
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Desafios doação
Apesar dos números positivos, o especialista afirmou que a recusa familiar ainda é um dos principais desafios para ampliar o número de transplantes no Brasil. Atualmente, a taxa nacional de recusa chega a cerca de 45%.
Segundo Marcelo Bonvento, regiões como Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Campinas apresentam índices menores de recusa, mas o país ainda precisa avançar na conscientização sobre a importância da doação de órgãos. O coordenador reforçou que a autorização para a doação depende da família e, por isso, é fundamental que as pessoas conversem em casa sobre o desejo de serem doadoras.
Sistema referência
Durante a entrevista, Marcelo Bonvento afirmou que o sistema brasileiro de transplantes é considerado uma referência internacional e destacou que o Brasil possui o maior sistema público de transplantes do mundo.
Ele explicou que o sistema passa constantemente por atualizações tecnológicas e avaliações para garantir transparência, segurança e igualdade no acesso aos transplantes em todo o país. Segundo o especialista, após a autorização familiar, todo o processo de captação e preparação dos órgãos pode ocorrer em cerca de oito horas. Em muitos casos, os pacientes já são transplantados em menos de 24 horas após a doação.



