Moradores e comerciantes dos bairros Simioni e Quintino, na zona norte de Ribeirão Preto, retomaram a rotina na manhã desta quinta-feira (22), após um dia de tensão provocado por mensagens sobre um suposto toque de recolher. Os avisos circularam pelas redes sociais e aplicativos de mensagens depois que dois homens morreram durante uma abordagem do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), na Via Norte, na tarde de quarta-feira (21).
Durante a manhã, comércios como padarias, mercearias, varejões, lojas de roupas e supermercados voltaram a funcionar normalmente. Estudantes também foram vistos chegando às escolas, e os ônibus do transporte público circularam sem interrupções. Na tarde anterior, estabelecimentos haviam fechado as portas, e algumas escolas dispensaram alunos mais cedo diante do temor de possíveis represálias.
A Polícia Militar informou que não havia confirmação de ameaças ou de um toque de recolher. Após a ocorrência, a corporação reforçou o patrulhamento na região, com equipes circulando pelos bairros para ampliar a segurança de moradores e trabalhadores.
Reforço policial
Em entrevista à imprensa na quarta-feira, o tenente-coronel Julian Junqueira afirmou que a Polícia Militar não tinha informações sobre um toque de recolher. Segundo ele, o compartilhamento de mensagens pode ampliar o temor entre moradores, mesmo sem confirmação dos avisos.
O oficial também anunciou o reforço do efetivo, com atuação de equipes de Força Tática e policiais militares em corredores de circulação e pontos de ônibus. O objetivo, segundo ele, era prevenir novos incidentes e transmitir segurança à população.
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Na manhã desta quinta-feira, o movimento de viaturas continuava intenso nos bairros Simioni e Quintino. Apesar do clima de apreensão registrado no dia anterior, a movimentação de comerciantes, estudantes e passageiros indicava uma retomada da normalidade.
Como ocorreu
A ocorrência que provocou a tensão aconteceu pouco depois das 12h30 de quarta-feira, na Via Norte, no sentido bairro, antes do acesso à Avenida Tomás Alberto Whately. Dois homens estavam em um Hyundai HB20 alugado quando uma equipe do Baep tentou fazer a abordagem.
Segundo a Polícia Militar, os ocupantes teriam apontado armas para os policiais, que reagiram. Vinícius de Jesus, de 32 anos, e Alexandro Calisto Gomes, de 40, foram baleados e morreram ainda dentro do veículo. Equipes do Corpo de Bombeiros e do Samu foram acionadas, mas os socorristas apenas puderam constatar as mortes.
A perícia encontrou 19 cápsulas deflagradas no asfalto. No carro, havia marcas de tiros e vidros quebrados. Durante a ocorrência, motoristas e motociclistas tentaram deixar a região, e alguns retornaram pela contramão para fugir do local. A interdição da Via Norte durou cerca de cinco horas, até a conclusão dos trabalhos periciais e a retirada dos corpos.
Armas apreendidas
Segundo a Polícia Militar, a abordagem começou após uma denúncia anônima de que o veículo estaria transportando armas. Na sequência, a equipe localizou o carro por meio da placa e tentou realizar a abordagem. Foram apreendidas duas pistolas e duas submetralhadoras.
A corporação também informou que Vinícius era suspeito de envolvimento com uma facção criminosa e de participação em um latrocínio ocorrido em 2022, que terminou com a morte de um subtenente do Corpo de Bombeiros durante uma tentativa de assalto em uma fazenda entre Batatais e Franca. Segundo a polícia, Alexandro também teria ligação com o crime organizado, mas não estaria relacionado àquele latrocínio.
O caso é investigado pela Polícia Civil e pela própria Polícia Militar, que apura internamente ocorrências com mortes decorrentes de intervenção policial. Até a manhã desta quinta-feira, não havia confirmação de novos incidentes relacionados às mensagens sobre o suposto toque de recolher.



