A hipertensão arterial também pode afetar crianças e adolescentes, muitas vezes sem apresentar sintomas. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental para identificar alterações e iniciar o acompanhamento adequado. Em entrevista à CBN Ribeirão Preto, o médico cardiologista e professor Evandro Cesarino destacou a importância de medir a pressão arterial durante as consultas pediátricas.
Entre os fatores de risco para a pressão alta na infância estão a predisposição genética, o excesso de peso, a alimentação inadequada e o sedentarismo. O consumo excessivo de sal e de alimentos ultraprocessados também contribui para o problema.
Diagnóstico precoce
Segundo Evandro Cesarino, a hipertensão pode surgir até mesmo em recém-nascidos. Uma das possíveis causas é a coartação da aorta, uma cardiopatia congênita que pode provocar alterações na pressão arterial. A diferença entre os pulsos dos braços e dos pés pode ser um dos sinais identificados pelo pediatra logo após o nascimento.
O médico ressaltou que a medição da pressão arterial deve fazer parte da rotina das consultas pediátricas. Para isso, é necessário utilizar aparelhos adequados à faixa etária da criança. Ele explicou que, sem medir a pressão, não é possível diagnosticar a hipertensão.
Os parâmetros utilizados para identificar a pressão alta também variam conforme a idade. Até os 13 anos, a avaliação considera tabelas baseadas em fatores como peso e altura, com valores distribuídos em percentis. Acima dessa idade, os critérios se aproximam dos utilizados para adultos.
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Hábitos saudáveis
O cardiologista destacou que o excesso de peso é um dos principais fatores associados à hipertensão infantil. O tempo excessivo diante de telas, como celulares, tablets e computadores, também pode favorecer o sedentarismo quando substitui a prática de atividades físicas.
Para prevenir o problema, Cesarino defendeu uma alimentação mais saudável, com redução do consumo de sal e de produtos ultraprocessados, além do incentivo à atividade física nas escolas. Ele também ressaltou a importância de limitar o tempo de uso de dispositivos eletrônicos e de estimular hábitos saudáveis desde a infância.
Tratamento
A hipertensão diagnosticada na infância pode persistir na vida adulta, especialmente quando há predisposição genética e histórico de obesidade. No entanto, mudanças na alimentação, a prática de exercícios físicos e a redução do peso podem ajudar no controle da pressão arterial.
De acordo com o médico, a adoção dessas medidas costuma ser priorizada antes da indicação de medicamentos. Quando necessário, o tratamento farmacológico deve ser adaptado às características da criança, considerando fatores como peso, altura e quadro clínico.
Cesarino explicou ainda que alguns casos de hipertensão têm causas específicas que podem ser corrigidas, como a coartação da aorta e a estenose da artéria renal. Segundo ele, essas situações representam cerca de 5% dos casos. Nos demais, classificados como hipertensão essencial, primária ou idiopática, o objetivo é controlar a doença.



