O crédito consignado privado tem sido usado por trabalhadores como uma alternativa para organizar as finanças, mas o aumento da contratação de novos empréstimos acende um alerta para o risco de endividamento. Uma pesquisa da Serasa Experian aponta que 74% dos trabalhadores que possuem consignado privado têm dois ou mais contratos ativos após um ano do lançamento do modelo Crédito do Trabalhador.
O levantamento também mostra que 44% das operações têm valor de até R$ 1.500 e que cerca de 30% dos trabalhadores aderiram a um segundo empréstimo com taxas maiores. Para a economista Paula Velho, o cenário revela uma mudança no comportamento das famílias, já que o crédito deixa de ser usado apenas em situações emergenciais e passa a fazer parte da rotina do orçamento.
Novo crédito
Segundo Paula Velho, o consignado pode ser uma ferramenta positiva quando utilizado para substituir dívidas mais caras, como as do cartão de crédito, já que normalmente apresenta juros menores. No entanto, a especialista alerta que o problema aparece quando o trabalhador passa a contratar novos empréstimos para manter despesas do dia a dia.
“A ideia do crédito é exatamente essa, é substituir uma dívida cara por uma dívida mais barata. Então, via de regra, o consignado tem juros menores e é um instrumento para sair dos apertos”, explicou a economista.
A preocupação, segundo ela, está no uso recorrente do crédito. A contratação de um segundo empréstimo, principalmente com valores menores e condições menos vantajosas, pode comprometer ainda mais a renda futura do trabalhador.
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Dívida futura
Paula destaca que o crédito não deve ser confundido com renda, já que o dinheiro recebido antecipadamente representa uma dívida que será paga com os ganhos dos próximos meses. Para a economista, o consumidor precisa avaliar o motivo pelo qual está recorrendo ao empréstimo.
“Crédito não é renda. Crédito é um dinheiro antecipado e uma dívida que a pessoa contrata. É trazer uma renda futura para o presente”, afirmou.
Segundo ela, o alerta aumenta quando o empréstimo é usado para pagar despesas correntes, como contas de casa, supermercado ou outros gastos fixos. O cenário é diferente quando o recurso é utilizado para investimentos que podem melhorar a renda, como cursos ou equipamentos de trabalho.
Educação financeira
A economista também chamou atenção para o uso do cartão de crédito e para a necessidade de planejamento financeiro. Segundo ela, substituir uma dívida cara por uma mais barata pode ser uma estratégia adequada, mas continuar acumulando novas dívidas indica um problema de organização financeira.
Paula Velho também alertou para o uso de empréstimos em apostas, como as chamadas bets. De acordo com ela, esse é um dos piores destinos para um recurso obtido por meio de crédito, já que não há garantia de retorno e o consumidor pode ampliar o endividamento.
A especialista reforçou que a educação financeira é fundamental para evitar decisões impulsivas e destacou que o consumidor precisa entender seus hábitos de consumo antes de buscar novas linhas de crédito.



