A defesa do adolescente de 14 anos apontado como autor da facada que feriu um estudante de 13 anos dentro de uma escola particular de Ribeirão Preto afirma que a mãe dele procurou a instituição três dias antes da agressão para relatar episódios de bullying. O adolescente foi liberado pela Justiça no início da noite desta sexta-feira (21).
Segundo a defesa, a mãe apresentou à coordenação os nomes de alunos que estariam envolvidos nas provocações. O adolescente também teria apresentado à polícia prints e outros registros de conversas em um grupo com cerca de 55 estudantes do oitavo ano.
A agressão aconteceu durante o intervalo. O estudante de 13 anos foi atingido nas costas e teve o pulmão perfurado. Segundo a família, ele passou por cirurgia, o procedimento foi bem-sucedido e foi necessário colocar um dreno.
Conflitos
De acordo com o delegado da Divisão de Infância e Juventude, Aroldo Chaude, as provocações teriam começado depois que o adolescente acusado pediu informações sobre uma tarefa escolar em um grupo de mensagens. A partir daí, segundo o relato apresentado à polícia, ele teria passado a ser alvo de ofensas e humilhações.
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A defesa afirma que o adolescente não queria mais ir à escola por causa das hostilizações. O advogado Daniel Ronde questiona quais providências foram tomadas pela instituição após a mãe procurar a coordenação.
A escola, por sua vez, afirma que o caso está em apuração e que colabora com as autoridades. Em nota, a direção informou que não houve registro ou notificação prévia de episódios de bullying envolvendo o estudante. A instituição também afirmou manter um programa permanente de prevenção ao bullying e à não violência.
Investigação
Outro ponto que será investigado é a origem da faca utilizada na agressão. Segundo a defesa, o objeto estava dentro da escola e não foi levado de casa. A instituição informou que não houve entrada de objetos externos e que o item envolvido era um utensílio de cozinha utilizado na rotina de preparo de alimentos.
A investigação também deverá esclarecer o que aconteceu antes da agressão, a existência de uma sequência de provocações e se a escola tinha conhecimento dos conflitos. Segundo o delegado, a instituição já foi ouvida, mas essa parte da apuração ainda será aprofundada.
A defesa apresentou ainda laudos médicos do adolescente e afirma que ele tem diagnóstico de autismo e estava em uma situação de crise no momento da agressão. A polícia, porém, não aponta o diagnóstico como causa do ataque. A investigação busca esclarecer a motivação e as circunstâncias do caso.
Relatos
Uma mãe que teve o filho matriculado na mesma escola relatou à reportagem uma experiência anterior de bullying. Segundo ela, o menino teria sido alvo de apelidos, piadas e humilhações e a família procurou a instituição diversas vezes.
Ela afirma que o comportamento e o desempenho escolar do filho foram afetados e que decidiu tirá-lo da escola depois de não obter, segundo seu relato, uma resposta considerada suficiente para a situação. Atualmente, de acordo com a mãe, o adolescente estuda em outra instituição.
A escola informou ainda que o estudante ferido está em recuperação e recebe assistência da família e da instituição. As autoridades continuam investigando o caso, que envolve adolescentes e tramita em sigilo.



