Pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP de Ribeirão Preto identificaram uma substância derivada do alho capaz de aumentar a eficácia da quimioterapia no tratamento do câncer colorretal. O estudo foi desenvolvido em laboratório e apontou resultados considerados promissores na ação contra células cancerígenas.
A pesquisa foi conduzida no laboratório de nutrigenômica da instituição e ainda está em fase pré-clínica, com testes realizados em culturas de células. Os resultados indicam potencial de aplicação futura, mas ainda sem uso direto em pacientes.
Pesquisa
Segundo a professora Lusânia Antunes, orientadora do trabalho, o composto estudado já era conhecido, mas a inovação está na associação com o quimioterápico utilizado no tratamento do câncer colorretal e também em alguns casos de câncer de fígado. Nos experimentos, a combinação do composto derivado do alho com o medicamento utilizado no SUS resultou em maior taxa de morte das células cancerígenas, chegando a cerca de 90% em ambiente laboratorial. Os dados também indicam que o efeito ocorreu mesmo em doses consideradas padrão da quimioterapia, o que pode representar uma alternativa para potencializar o tratamento sem aumento da dosagem.
De acordo com a pesquisadora, os achados mostram que a associação pode ampliar a resposta das células ao tratamento, com potencial de melhorar o resultado clínico futuro para pacientes. A hipótese é de que o composto do alho possa aumentar a eficiência da quimioterapia sem elevar os efeitos colaterais, já que o aumento de dose do medicamento nem sempre é possível na prática clínica. Os testes, no entanto, foram realizados apenas em ambiente controlado de laboratório, o que ainda não permite aplicação direta em humanos neste estágio da pesquisa.
Próximos passos
A pesquisa agora deve avançar para testes em modelos animais, que representam uma etapa mais próxima do organismo humano. Somente depois disso poderão ser iniciados estudos clínicos com pacientes. A professora destaca que esse tipo de transição entre fases é fundamental para garantir segurança e eficácia antes de qualquer aplicação médica. No cenário internacional, já existem estudos clínicos com compostos derivados do alho, o que reforça o interesse científico no tema.
Leia também
O desenvolvimento da etapa pré-clínica levou cerca de seis anos para ser concluído, segundo a equipe responsável pelo estudo. Para chegar à fase de testes clínicos, o processo ainda pode levar entre 10 e 15 anos, devido às exigências de segurança e validação científica. Esse período inclui análises detalhadas sobre efeitos adversos, absorção pelo organismo e interação com outros tratamentos.
Cuidados
A pesquisadora reforça que não é recomendado o uso de suplementos ou substâncias associadas à quimioterapia sem orientação médica. Segundo ela, combinações inadequadas podem não apenas ser ineficazes, mas também agravar o quadro clínico de pacientes com câncer. O alerta destaca a importância do acompanhamento médico durante todo o tratamento oncológico.
O estudo contou com a participação de uma equipe multidisciplinar no laboratório da USP de Ribeirão Preto. Entre os envolvidos estão uma doutoranda e uma mestranda que atuaram diretamente nas etapas experimentais com células de câncer de fígado e colorretal, além de outros pesquisadores e equipe técnica. A coordenação ressalta que o trabalho foi realizado de forma colaborativa, envolvendo diferentes níveis de formação e especialização científica.



